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Futebol / Deu ruim

Racha de dirigentes, calendário e até Covid-19 esfriam projeto de Liga de Clubes

Após dois meses de prazo para a criação da liga, dirigentes divergem, e projeto estaciona

Erich Beting Publicado em 01/09/2021, às 08h05

Taça do Campeonato Brasileiro em frente à sede da CBF, no Rio de Janeiro - Reprodução / CBF
Taça do Campeonato Brasileiro em frente à sede da CBF, no Rio de Janeiro - Reprodução / CBF

No dia 28 de junho, os dirigentes dos 40 clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro se reuniram em São Paulo com o objetivo de ir adiante no projeto de criação de uma liga que represente as duas principais divisões do futebol nacional. À ocasião, com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) enfraquecida pelo afastamento do presidente Rogério Caboclo, os clubes estipularam um prazo de 90 dias para criar a liga, além da instituição de uma comissão para debater os princípios da entidade.

Dois meses depois do que deveria ser o pontapé inicial para a liga, porém, praticamente nada andou. Pelo contrário. O princípio de união dos clubes já começou a apresentar sinais de enfraquecimento, e a liga, hoje, é um projeto distante dentro do cotidiano dos presidentes de clubes no Brasil.

Nas últimas semanas, a reportagem da Máquina do Esporte conversou com diversos dirigentes e executivos dos principais clubes à frente do projeto da liga. Todos foram unânimes em afirmar que a proposta de criar a entidade segue firme, mas admitem que aquele ímpeto inicial para colocar em pé o projeto já não é o mesmo.

Hoje, os mesmos problemas que levaram à derrocada do Clube dos 13, há pouco mais de dez anos, impedem a criação da liga. Dirigentes de times de grande torcida estão de um lado, e os de times de menor torcida estão de outro.

Existem atualmente dois grupos distintos que discutem a liga.

O primeiro é composto pelos clubes de maior torcida do país, tendo os presidentes de Flamengo, Palmeiras, Corinthians, Atlético-MG, Grêmio e São Paulo como principais articuladores. Esse grupo vinha assumindo a liderança do projeto da liga, mas enfrentou resistência do grupo dos times médios, que é encabeçado por Guilherme Bellintani, presidente do Bahia. A discordância em relação a alguns temas gerou um primeiro racha e esfriou o discurso de unidade entre os dirigentes. Tanto que existe, hoje, uma possibilidade de os “grandes” se rebelarem e, como aconteceu há 35 anos na criação do Clube dos 13, decidirem determinar a regra do jogo, forçando os times menores a se adequarem à proposta deles. Foi esse nascimento “torto” do C13 que levou, depois de 25 anos, à derrocada da entidade comercial.

No meio desse cenário, Julio Casares, presidente do São Paulo, pegou Covid-19 e ficou um mês hospitalizado. Não por acaso, o afastamento de Casares distanciou ainda mais as duas correntes de pensamento. O dirigente do tricolor paulista era quem mais vinha unindo os clubes e tentando adequar todos os interesses.

Para piorar, o afunilamento das competições de futebol tem tomado a atenção dos dirigentes, que colocaram em segundo plano o projeto da liga para cuidar, primeiro, da performance de suas equipes dentro de campo. Isso reduziu a agenda de encontros entre eles. Segundo apurou a reportagem, a liga, hoje, está no mesmo status de dois meses atrás. É uma ideia, mas sem qualquer forma até o momento.

A sorte dos clubes é que, apesar de permanecerem parados, o alto comando da CBF está derretido. Rogério Caboclo foi inocentado das acusações de assédio moral e sexual contra funcionárias, o que significa que não perdeu o cargo de presidente da CBF, mas está afastado por pelo menos mais um ano do comando da confederação. Assim, a principal entidade do futebol não consegue ter fôlego para esvaziar o movimento de independência dos clubes. Pelo menos por enquanto.