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Futebol / Pandemia

Sem vagas em UTI, Volta Redonda vira nova ‘casa’ do futebol

Erich Beting Publicado em 23/03/2021, às 11h49

Imagem Sem vagas em UTI, Volta Redonda vira nova ‘casa’ do futebol
Volta Redonda terá jogos do Campeonato Paulista.
Crédito: Reprodução

A cidade de Volta Redonda, no Rio de Janeiro, será pelos próximos dias a “casa” do futebol brasileiro. O estádio Raulino de Oliveira poderá, a partir desta terça-feira (23), até seis jogos pelos próximos quatro dias, tanto do Campeonato Paulista quanto da Copa do Brasil. A cidade de 270 mil habitantes no interior do Rio de Janeiro se tornou a solução para os dois torneios não precisarem parar e atropelar o calendário, já que diversas cidades e estados do país têm adotado medidas restritivas de circulação das pessoas na tentativa de frear a proliferação da pandemia do coronavírus.

Não é, porém, o caso de Volta Redonda. No mesmo dia em que anunciou a realização de Corinthians x Mirassol nesta terça e duelos da Copa do Brasil na quinta e na sexta, a cidade bateu a marca de 500 mortos pela Covid-19 desde o início da pandemia. Na última sexta-feira, Volta Redonda já estava sem leitos de UTI disponíveis na rede pública. Havia a previsão de a cidade sair da fase laranja diretamente para a fase roxa na tentativa de frear a pandemia, mas parece que o caminho tomado será bem diferente.

Apesar dos casos crescentes da doença e do colapso do sistema de saúde, Volta Redonda tenta se tornar a solução para o futebol e receber, até o final de semana, até 11 delegações de equipes vindas de seis diferentes estados do país. Caso os seis jogos sejam confirmados (ainda há duas partidas do Paulistão que podem ser marcadas para a quarta-feira), a cidade vai ter de resolver a logística para abrigar cerca de 500 pessoas para trabalhar nessas partidas.

Por trás de toda essa corrida por fazer jogos em Volta Redonda está a briga política que atravessa o país. Há uma semana, quando a cidade do Rio de Janeiro foi vista como alternativa para receber partidas do Campeonato Paulista, o governador Claudio Castro vetou a realização de jogos de times de outros estados em todo o Rio.

Por trás do veto estava a queda de braço com Eduardo Paes, prefeito da cidade. Aliado ao presidente da República, Jair Bolsonaro, Castro tenta reduzir a influência de Paes no Rio, já que o prefeito se opõe ao mandatário nacional. Antônio Francisco Neto, atual prefeito de Volta Redonda, tem ótima ligação com o governo do Rio, tanto que, logo no começo do ano, recebeu doação para obras municipais em evento que contou com a presença do governador fluminense.

Em meio à briga política e ao caos na saúde, Volta Redonda tenta se fazer de “desentendida” e alega que a opção por receber jogos atende a um pedido da Ferj, a federação de futebol do Rio de Janeiro. A secretária de esportes da cidade, Rose Vilela, em entrevista à rádio Bandeirantes, afirmou que a cidade estava “tomando todas as providências” para assegurar que o estádio Raulino de Oliveira possa receber as partidas. Também à rádio, o prefeito da cidade afirmou “não saber” do veto que havia para a realização de partidas de times de outros estados no Rio de Janeiro e disse que vai conversar com o governador. Apesar disso, afirmou que as partidas previstas até a sexta-feira acontecerão normalmente.

Enquanto isso, a cidade do Rio de Janeiro decretou medidas mais rígidas de circulação de pessoas a partir da sexta-feira, o que deve impedir a realização de jogos de futebol na cidade já no fim de semana.

De acordo com a Federação Paulista de Futebol, para tentar manter os protocolos de saúde para a partida, somente as delegações dos dois times e a equipe que fará a transmissão da partida para a TV poderão ir ao estádio. A entidade confirmou, até agora, apenas o duelo entre Corinthians e Mirassol para Volta Redonda. O clube paulista voltará a jogar na cidade na sexta-feira, pela Copa do Brasil, contra o Retrô, de Pernambuco. Há a possibilidade ainda de dois outros jogos acontecerem em Volta Redonda pelo Paulistão. São Bento x Palmeiras e Santos x Ponte Preta, ambos na quarta-feira (24).

Caso todos os jogos sejam confirmados, Volta Redonda receberia, ao longo de quatro dias, atletas de 11 times representando seis estados diferentes: os paulistas Corinthians, Mirassol, Palmeiras, São Bento, Santos e Ponte Preta, além de Porto Velho (RO), Ferroviário (CE), Jaraguá (GO), Manaus (AM) e Retrô (PE).