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TCE-MG suspende patrocínio de R$ 32 milhões de estatais a Cruzeiro e Atlético-MG

Decisão liminar interrompe plano anunciado pelo governo de MG para compensar perdas de clubes após proibição das bets no Brasil

Governo de Minas Gerais havia oficializado patrocínio aos clubes em setembro - Cristiano Machado/Imprensa MG

Governo de Minas Gerais havia oficializado patrocínio aos clubes em setembro - Cristiano Machado/Imprensa MG

⚡ Máquina Fast
  • TCE-MG suspende programa de patrocínio de R$ 32 milhões de estatais a Atlético-MG, Cruzeiro e América-MG para 2027.
  • Governador eleito Cleitinho Azevedo alega crise fiscal e questiona uso de recursos públicos para clubes privados SAF.
  • Medida visa compensar perda de patrocínios das casas de apostas, mas falta comprovação de retorno para estatais.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) suspendeu, em decisão cautelar, o programa de patrocínio de R$ 32 milhões que seria destinado por estatais mineiras a Atlético-MG, Cruzeiro e América-MG em 2027.

A medida atende a uma representação apresentada pelo governador eleito, Cleitinho Azevedo, e atinge os acordos que seriam firmados por estatais como Cemig, Codemig, Codemge e Invest Minas.

Compensação

A iniciativa havia sido anunciada pelo governador Mateus Simões em setembro, após a proibição das casas de apostas no Brasil. O objetivo era compensar parte das receitas perdidas pelos clubes com o fim dos contratos de patrocínio das bets.

O pacote previa R$ 15 milhões para Atlético-MG, R$ 15 milhões para Cruzeiro e R$ 2 milhões para o América-MG, além de apoio a clubes do interior em valores que ainda seriam definidos.

Segundo o TCE-MG, a suspensão foi motivada por questionamentos sobre a ausência de estudos técnicos que comprovassem retorno institucional para as empresas públicas, falta de critérios objetivos para a definição dos valores e dúvidas sobre a finalidade dos recursos.

A decisão do conselheiro em exercício Licurgo Mourão impede a assinatura de novos contratos e determina a suspensão imediata de pagamentos caso os acordos já tenham sido formalizados. A medida ainda será submetida ao referendo da Primeira Câmara do tribunal.

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Questionamento

Ao anunciar a representação, Cleitinho afirmou que o Estado enfrenta restrições financeiras e que os recursos deveriam ser destinados a outras áreas. Segundo o governador eleito, esse cenário fiscal fragilizado pesou em sua decisão.

“A gente está vendo o próprio governo dizendo que a partir de janeiro não pode ter dinheiro para pagar os servidores. A gente está passando pela transição e vendo também que está faltando merenda nas escolas”, afirmou o político, em vídeo publicado em suas redes sociais.  

“Então quer dizer: eles mesmos estão dizendo que o estado está quebrado”, acrescentou.

Cleitinho também questionou o uso de recursos de empresas públicas para apoiar clubes que hoje operam como Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs).

“O Cruzeiro, o Atlético-MG e o América-MG hoje são SAF. SAF é de iniciativa privada. O que que faz um governo pegar mais de 30 milhões, através de empresas estatais como Cemig e Codemig, e patrocinar esses times?”, questionou.

Patrocínio

Quando apresentou o programa, Simões afirmou que os valores representariam cerca de um terço das receitas anteriormente recebidas pelos clubes do setor de apostas.

O protocolo de intenções também previa contrapartidas dos clubes, como investimentos no futebol feminino, incentivo a modalidades olímpicas, desenvolvimento das categorias de base e ações sociais voltadas a estudantes da rede pública estadual.

Na ocasião do anúncio, o governador justificou a medida afirmando que “o futebol de Minas é muito maior do que as bets” e que o Estado deveria apoiar os clubes durante o período de adaptação ao novo cenário regulatório.

Oposicionista ao atual governador, Cleitinho defende que os recursos sejam direcionados para outras áreas da administração pública.

“Todo mundo sabe o amor que eu tenho pro futebol. Só que a gente tem outras prioridades. E eu tenho certeza de que o torcedor aqui do Cruzeiro, do Atlético-MG, do América-MG e todo o povo mineiro vão me apoiar”, afirma ele.