Os times do Futebol Forte União (FFU) que integram a Série B do Campeonato Brasileiro em 2026, discutem a divulgação de um manifesto em conjunto com as reivindicações do grupo para a disputa da competição neste ano.
O texto pede um mínimo garantido para que as equipes tenham sustentabilidade financeira ao longo da temporada. Segundo cálculo do presidente de um dos clubes ouvidos, é necessário entre R$ 15 milhões e R$ 16 milhões para cobrir os custos da disputa da Série B. As equipes ainda estão distantes desse total.
Hoje, 18 times integram o FFU na Bezona: América-MG, Athletic, Atlético-GO, Avaí, Botafogo-SP, Ceará, CRB, Criciúma, Cuiabá, Fortaleza, Goiás, Juventude, Londrina, Novorizontino, Operário-PR, Ponte Preta, Sport Recife e Vila Nova.
As exceções são Náutico e São Bernardo, que negociaram seus direitos comerciais diretamente com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e conseguiram uma verba de cerca de R$ 15 milhões.
Todos os clubes também garantiram da CBF um aporte de R$ 3 milhões para ser usada com despesas de logística (arbitragem, VAR, antidoping, viagens e hospedagens).
Sustentabilidade
O problema é que, quem integra o FFU, ainda está bem aquém de atingir esse valor para custear as despesas da temporada. Hoje, o bloco possui contrato de direitos de transmissão com a Disney, que transmite a temporada no Disney+ e na ESPN, e com a Brax Sports Assets, para as placas de campo.
Dos demais parceiros de mídia do ano passado, RedeTV! (TV aberta), Desimpedidos e Kwai (streaming), ainda não houve renovação. Segundo a Máquina do Esporte apurou, o trio não deve manter a atração em sua grade de programação para 2026.
O objetivo de arrecadação para a Série B em 2025 era de R$ 250 milhões, o que garantiria R$ 12,5 milhões para cada equipe. No ano passado, tanto os times da então Liga Forte União (LFU) como da Liga do Futebol Brasileiro (Libra) venderam conjuntamente seus direitos de transmissão.
O resultado financeiro, porém, de acordo com apuração da Máquina do Esporte, ficou aquém do esperado: R$ 150 milhões. Desse total, R$ 50 milhões vieram de Disney, outros R$ 70 milhões de Brax e R$ 30 milhões de outros contratos. Desse dinheiro ainda é preciso descontar cerca de R$ 18 milhões com produção dos jogos.
Para a atual temporada, a meta financeira é a mesma (R$ 250 milhões), mas as dificuldades estão ainda maiores, diante da ausência de novos acordos de TV. E tudo ainda pode piorar para o futuro, já que os contratos com Disney e Brax se encerram em 2027.
Investidores
Em outubro, a CBF chegou a fazer proposta para que todos os clubes da Série B assinassem com ela. No entanto, embora tenha sido considerada vantajosa a oferta da confederação, nenhum clube pôde aceitar porque estão presos ao contrato com os investidores do FFU por 50 anos.
“Agora são 49”, lembrou o dirigente de um dos clubes que recebeu a proposta.
A entrada dos investidores, embora tenha sido celebrada inicialmente, acabou gerando um problema para as finanças das equipes. O contrato não contava com nenhuma cláusula obrigatória de destinação da verba, por parte dos direitos comerciais e de TV dos times do atual FFU por 50 anos.
Ou seja, os dirigentes estavam livres para gastar como melhor entendessem. A maioria sucumbiu às pressões de imprensa e torcida e torrou sua verba em contratações, na busca pelo acesso à Série A. A circulação de mais dinheiro no mercado de transferências gerou outro problema: o inflacionamento de direitos federativos e salários.
“Nos últimos quatro anos a folha salarial teve um crescimento de 100%. Não tem como manter”, espanta-se o dirigente de um clube do FFU.
