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Futebol / Maradona

Um ano nada fácil para os argentinos

David Grinberg Publicado em 26/11/2020, às 09h01

Imagem Um ano nada fácil para os argentinos

Definitivamente, 2020 não tem sido um ano fácil para os argentinos. A assunção do novo presidente em janeiro renovou – uma vez más – as expectativas da sociedade de que desta vez o país poderia sair de sua crise econômica – e existencial – que o assola por vários anos. Não deu tempo. Logo a pandemia do COVID-19 chegou por aqui e o governo, ainda sem experiência no tema, confinou a população em suas casas por vários meses, agravando ainda mais a já debilitada saúde financeira. O impacto na autoestima é nítido quando falamos com os argentinos. Nunca esteve tão baixa.

Assim como no Brasil, o futebol aqui também tem uma função social. É a via de escape para deixar todos os problemas de lado. Ultimamente, então, um dos poucos motivos de diversão e brincadeiras nos “rincons” portenhos. E justamente quando o esporte começa a retomar a sua normalidade, com a volta dos campeonatos e rotinas de jogos, o argentino sofre uma nova derrota. E que revés. O seu maior ídolo, aquele que é tido por aqui como o maior jogador de futebol da história. O autor do gol mais bonito da história dos Mundiais e, segundo o site da Fifa, o maior jogador do século, resolve partir para outra.

Diego Armando Maradona sempre foi uma figura venerada pelo mundo. Contava até com a igreja “maradoniana”, repleta de seguidores fiéis que acreditam piamente de que o cara é um “semideus”. Aliás, para eles, o Natal é celebrado dia 30 de outubro, dia de nascimento do craque. 


Um gênio dentro de campo com a bola nos pés (e com a mão também!!!). As quatro linhas eram o seu palco. Ganhou tudo o que disputou. Fora dele, foi um completo desastre. Um cara controverso de verdade, com polêmicas ao estilo raiz. Com ele, nunca houve mimimi. Falava o que vinha à cabeça e fazia todas as besteiras que era capaz. Ele vai com o dever cumprido de ter feito tudo de errado que um ser humano poderia almejar. Álcool, drogas, confusões, polêmicas eram parte de sua rotina tanto quanto os golaços e jogadas geniais.

Ainda é cedo para saber o real impacto da morte de Maradona no povo argentino. Confesso que, como brasileiro morando em Buenos Aires, também me sinto atingido por essa trágica notícia e sei que certamente a sociedade acusará mais este duro golpe. Mas sabemos que ídolos são “imortais”. E, a julgar pelas reações iniciais, Maradona poderá renovar as esperanças de dias melhores à Argentina ao finalmente poder fazer jus a ser "La mano de Dios".


*David Grinberg é vice-presidente de comunicação da Arcos Dorados, gestora da marca do McDonald's na América Latina