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Futebol / Liga

Clubes das Séries A e B peitam Flamengo e paulistas para criação da Libra

Carta aberta conta com apoio de 23 clubes das duas principais divisões do país

Adalberto Leister Filho - São Paulo (SP) Publicado em 09/05/2022, às 17h16 - Atualizado às 17h28

Grupo de 23 times divulgou carta-proposta reivindicando divisão mais igualitária de receitas - Divulgação / CBF
Grupo de 23 times divulgou carta-proposta reivindicando divisão mais igualitária de receitas - Divulgação / CBF

Um grupo de 23 dos 40 clubes que disputam as Séries A e B do Brasileirão divulgou, nesta segunda-feira (9), uma carta-proposta para a criação da Libra (Liga Brasileira de Clubes), em que reitera a reivindicação por uma maior igualdade na divisão de receitas.

Assinam o manifesto 11 clubes da Série A (América-MG, Athletico-PR, Atlético-GO, Avaí, Ceará, Coritiba, Cuiabá, Fortaleza, Fluminense, Goiás e Juventude) e 12 equipes da Série B (Brusque, Chapecoense, CRB, Criciúma, CSA, Londrina, Náutico, Operário-PR, Sampaio Corrêa, Sport, Tombense e Vila Nova).

O curioso é que, inicialmente, Atlético-MG, Bahia, Botafogo, Grêmio, Guarani, Internacional, Novorizontino e Vasco constavam na lista. Posteriormente, tiveram seus nomes retirados. Já o América-MG não aparecia na primeira versão do grupo, mas entrou depois.

Dos 17 clubes que não assinaram, oito já aderiram à Libra (Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Palmeiras, Ponte Preta, Red Bull Bragantino, Santos e São Paulo). Além dos já citados, o Ituano é outro clube que ainda não assinou o estatuto da Libra nem o documento desta segunda-feira (9).

Os 23 times defendem que a divisão de receitas obtidas pela liga, seja na venda de direitos de transmissão ou patrocínios, seja dividida em 50% de maneira igualitária, 25% por desempenho no campeonato e 25% pelo que chamam de comercial, “com parâmetros objetivos e mensuráveis”.

O estatuto da Libra, divulgado aos clubes em reunião em São Paulo na terça-feira passada (3) propunha que essa divisão fosse feita em 40% de maneira igualitária, 30% por desempenho no torneio e 30% por engajamento, no qual seriam incluídos cinco critérios:  média de público nos estádios, base de assinantes de cada clube nos serviços de streaming, número de seguidores nas redes sociais, audiência na TV aberta e tamanho da torcida.

Esse último item foi bastante criticado pelos clubes que não confirmaram adesão à Libra. “Não concordo com rede social. Tem gente que compra seguidor. Como vou monetizar algo se alguém está comprando seguidor?”, questionou Marcelo Paz, presidente do Fortaleza, em entrevista à Máquina do Esporte.

Na carta-proposta, os clubes lembram que nas principais ligas europeias não há muita disparidade entre o clube que recebe mais receita e o time com porção menor. Na Premier League, da Inglaterra, essa diferença é de 1,6 vez. Na Serie A, da Itália, 2,1. Na Bundesliga, da Alemanha, por sua vez, 3,2. A maior disparidade acontece na LaLiga, da Espanha, em que a diferença entre a fatia maior e a menor é de 3,5 vezes.

Por conta disso, os clubes propõem que essa diferença na Libra seja de 3,5 vezes no primeiro ano de criação da liga. Nas temporadas seguintes, de acordo com a carta, o campeonato experimentaria a transição até o modelo ideal, visto como sendo o da Premier League (1,6 vez). Na proposta dos clubes, porém, não se estabelece um prazo para que esse limite ideal seja atingido.

Outro ponto de discórdia é em relação ao percentual destinado aos 20 times da Série B. Na carta-proposta, a ideia é que seja de 20% das receitas. No estatuto de criação da Libra, esse pedaço é de 15%.

“Os signatários envidarão todos os esforços possíveis para reunir os 40 (quarenta) clubes e formatar a Liga, sempre na base do diálogo e da razoabilidade, firmando também o compromisso de que, caso não haja a efetiva formalização, irão avaliar, em conjunto, a negociação dos direitos de transmissão e demais propriedades inerentes ao futebol e suas respectivas competições para os anos posteriores a 2024”, afirma o documento.

Na carta, os 23 clubes dizem que não comparecerão à reunião na Confederação Brasileira de Futebol (CBF), marcada para a próxima quinta-feira (12). A ameaça de boicote já havia sido feita por times como Athletico-PR e Fortaleza. O grupo ainda informa que se reunirá no Rio de Janeiro, na próxima segunda-feira (16), para “formalizar o compromisso em busca de uma composição equilibrada”.

O grupo propõe uma futura reunião com os demais oito clubes “para que seja apresentada e debatida a proposta descrita nesta carta, na tentativa de alcançar o consenso”.

Leia abaixo a carta-proposta na íntegra: 

Carta-proposta para a formação da Liga de Clubes Brasileiros

Diante dos últimos acontecimentos, os Clubes signatários reafirmam o interesse na formalização da Liga de futebol profissional, com o intuito de elevar o nível de qualidade do futebol brasileiro, construindo um campeonato forte, revitalizado e, notadamente, com um padrão de equanimidade nas condições de disputa.

É preciso, porém, pontuar que não haverá Liga sem a união dos 40 (quarenta) clubes participantes das atuais Séries A e B.

Algumas premissas devem ser observadas, tendo como referência que: (i) a Premier League divide igualmente 68% da receita, somando todos os direitos domésticos, internacionais e de marketing; (ii) as Ligas Alemã, Espanhola, Francesa e Italiana distribuem 50% da receita de forma igualitária; e (iii) a diferença de receita entre o primeiro e último clubes respeitam os seguintes limites: Inglaterra (1.6x), Itália (2.1x), Alemanha (3.2x) e Espanha (3.5x).

Para a formalização da Liga de Clubes de futebol brasileiro, os Signatários acreditam no modelo abaixo apresentado:

(i) Divisão de receita de 50% igualitário, 25% performance e 25% comercial, com parâmetros objetivos e mensuráveis;

(ii) Diferença de receita entre maior e menor clube tendo como alvo o limite de 1.6 ao longo do tempo (referência Premier League), com o teto de 3.5 a partir do primeiro ano;

(iii) Compromisso de que a Série B receba 20% dos recursos de venda de direitos de transmissão.

Os Signatários envidarão todos os esforços possíveis para reunir os 40 (quarenta) clubes e formatar a Liga, sempre na base do diálogo e da razoabilidade, firmando também o compromisso de que, caso não haja a efetiva formalização, irão avaliar, em conjunto, a negociação dos direitos de transmissão e demais propriedades inerentes ao futebol e suas respectivas competições para os anos posteriores a 2024.

Os Clubes informam, ainda, que no dia 16 de maio de 2022 se reunirão presencialmente no Rio de Janeiro para formalizar o compromisso em busca de uma composição equilibrada, e que, por tal razão, não se farão presentes na reunião previamente agendada na CBF, no dia 12 de maio de 2022.

O encontro com os 8 (oito) clubes, no que depender da vontade dos Signatários, acontecerá futuramente para que seja apresentada e debatida a proposta descrita nesta carta, na tentativa de alcançar o consenso.

América Futebol Clube
Associação Chapecoense de Futebol
Atlético Clube Goianiense
Avaí Futebol Clube
Brusque Futebol Clube
Ceará Sporting Club
Centro Sportivo Alagoano – CSA
Club Athletico Paranaense
Clube de Regatas Brasil – CRB
Clube Náutico Capibaribe
Coritiba Foot Ball Club
Criciúma Esporte Clube
Cuiabá Esporte Clube
Esporte Clube Juventude
Fluminense Football Club
Fortaleza Esporte Clube
Goiás Esporte Clube
Londrina Esporte Clube
Operário Ferroviário Esporte Clube
Sampaio Corrêa Futebol Clube
Sport Club do Recife
Tombense Futebol Clube
Vila Nova Futebol Clube