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Ucrânia anuncia boicote aos Jogos Paralímpicos de Inverno

Decisão ocorre após convite feito a atletas de Rússia e Bielorrússia para competirem sob suas bandeiras nacionais

Assembleia Geral do IPC, em Seul, no ano passado, que revogou a suspensão de Rússia e Bielorrússia - Comitê Paralímpico da Coreia do Sul/Divulgação

Assembleia Geral do IPC, em Seul, na Coreia do Sul, no ano passado, revogou a suspensão de Rússia e Bielorrússia - Comitê Paralímpico da Coreia do Sul / Divulgação

⚡ Máquina Fast
  • Ucrânia não participará dos Jogos Paralímpicos de Inverno 2026 após inclusão de atletas russos e bielorrussos.
  • Presidente Zelensky e autoridades ucranianas criticam decisão do IPC, classificando-a como injusta e ultrajante.
  • Atletas russos e bielorrussos poderão competir representando seus países após decisão do Tribunal Arbitral do Esporte.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Autoridades ucranianas confirmaram que não participarão dos Jogos Paralímpicos de Inverno de Milão-Cortina d’Ampezzo 2026, que terão início em 6 de março. O anúncio foi feito após a inclusão de seis atletas russos e quatro bielorrussos nas competições de esqui alpino, esqui cross-country e snowboard.

Em setembro, o Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês) suspendeu a proibição que impedia atletas dos dois países de competir.

Apesar de entidades como a Federação Internacional de Esqui e Snowboard (FIS) manterem restrições, a Rússia e a Bielorrússia conseguiram reverter a decisão no Tribunal Arbitral do Esporte (CAS), última instância de julgamento do setor. Com isso, receberam convites para participar dos Jogos.

Reações

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, classificou a decisão como “terrível”. Em entrevista ao programa Piers Morgan Uncensored, no YouTube, o político expressou repúdio com a liberação do IPC.

“É uma decisão suja, sem dúvida, nada respeitável e nada europeia do ponto de vista dos valores. Acho que essa decisão não é justa. Então, vamos reagir”, afirmou Zelensky ao jornalista britânico Piers Morgan.

O ministro dos Esportes da Ucrânia, Matvii Bidny, também se manifestou. Em comunicado oficial, disse que a medida era “decepcionante e ultrajante”.

“Suas bandeiras não têm lugar em eventos esportivos internacionais que prezam pela justiça, integridade e respeito”, acrescentou Bidny.

Repercussão

O Comissário Europeu para o Desporto, Glenn Micallef, declarou que não compareceria à Cerimônia de Abertura e pediu que outras autoridades adotassem a mesma postura.

Já a secretária de Cultura do Reino Unido, Lisa Nandy, afirmou que a decisão foi “completamente errada”. A Associação Paralímpica Britânica, por sua vez, reforçou que considera a medida uma “abordagem equivocada” e reiterou solidariedade ao povo ucraniano.

Em resposta, o IPC destacou que a decisão foi tomada de forma democrática durante a Assembleia Geral de 2025, com participação de cerca de 180 dos 211 países-membros da entidade.

Contexto

Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, atletas russos e bielorrussos estavam suspensos das competições paralímpicas.

Em 2023, foi introduzida uma proibição parcial, permitindo a participação desses atletas apenas sob bandeira neutra. Agora, com a decisão do CAS e os convites bipartidos, os atletas poderão competir representando seus países.

O termo convite bipartido é utilizado para caracterizar aqueles atletas que não conseguiram atingir resultados ou índices técnicos para participar das Paralimpíadas de Inverno. Os atletas russos e bielorrussos não tiveram essa oportunidade por estarem afastados do mundo competitivo internacional.

Entre os nomes confirmados pela agência russa Tass estão Aleksey Bugaev, tricampeão paralímpico de esqui alpino, e os esquiadores Ivan Golubkov e Anastasiia Bagiian, medalhistas em Campeonatos Mundiais.