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COB quer equilibrar buscas por formação de “nação esportiva” e medalhas em Los Angeles 2028

Marco La Porta, presidente da entidade, aposta na união entre instituições para criar cultura de consumo esportivo a longo prazo

Detalhe da marca do Time Brasil no uniforme utilizado por atletas nos Jogos de Inverno Milão-Cortina 2026 - Rafael Bello / COB

O Comitê Olímpico do Brasil (COB) passou a operar, no início de 2025, a partir do mote “Juntos por uma Nação Esportiva”. O plano macro visa alinhar o Brasil às características das 10 maiores potências mundiais no futuro, focando no aumento da prática e do consumo esportivo pela população.

Ao podcast Maquinistas, podcast da Máquina do Esporte, Marco La Porta, presidente do COB, explicou que a iniciativa surgiu de um diagnóstico preocupante feito pela diretoria logo após a eleição.

“Entendemos que o rendimento estava caindo. Em Paris 2024 não teve uma diferença muito grande, de 21 para 20 medalhas, mas caiu muito o número de ouros”, explicou La Porta.

“Percebemos que era a mesma de Tóquio 2021, a mesma de Paris 2024, era uma geração que talvez daqui a 4 anos em Los Angeles 2028 não entregassem o mesmo número de medalhas”.

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Protagonismo Institucional

Para sair da armadilha de “se preocupar com a mesma coisa a cada 4 anos”, o COB buscou referências internacionais. O estudo das nações que lideram o quadro de medalhas revelou que o sucesso na elite é reflexo direto da cultura esportiva na base.

“Identificamos naqueles países que a gente considera a potência olímpica, os 10 países que estão na frente do quadro de medalhas, essa característica de ser um país onde a população pratica esporte, consome esporte profundamente, conhece das modalidades, sabe tudo”, detalhou o presidente.

Assumindo a responsabilidade de liderar esse ecossistema, o COB convocou as principais entidades do setor para uma atuação conjunta.

“O COB é a instituição de esporte que engloba maior número de modalidades, a instituição de esporte mais importante, então ela tem que ser protagonista nesse processo”, afirmou La Porta, listando a união com CPB, CBC, CBDS, CBDU e CBCP para “sentar juntos e trabalhar, conversar com o ministério, conversar com os políticos”.

Performance

Embora projete colher os frutos em 2036 ou 2040, La Porta admite que a gestão será cobrada no curto prazo. Para evitar um revés nos Jogos de Los Angeles 2028, a entidade desenhou um plano tático baseado em métricas de conversão de resultados.

“Se daqui a 4 anos não vier o resultado, a gente vai ser cobrado. Então, a gente precisa também ter um plano de emergência”, disse.

Para isso, o COB realizou um mapeamento detalhado junto às confederações em 2025 para identificar onde estão as oportunidades reais de pódio. O trabalho atual consiste em identificar e fomentar essas oportunidades.

“Se eu quero ganhar 20 medalhas, eu tenho que ter 80 chances de medalhas. É quatro por um. Se eu quero ganhar 25, eu tenho que ter 100”, apontou La Porta.

“Onde é que a gente consegue ter 80 chances de medalha para brincar aqui nas 20, que é hoje o patamar que o esporte brasileiro se encontra com os recursos que tem?”, seguiu.

Prática

O objetivo final do “Juntos por uma Nação Esportiva” é aumentar o lastro de modalidades competitivas. Para La Porta, o momento exige o fim das reclamações históricas sobre a falta de base e o início de uma ação coordenada.

“Como lá em 92, quando me formei em educação física, a gente já falava isso, ‘tem que investir mais na base, tem que investir’. Sempre foi. Uma hora a gente tem que fazer alguma coisa. Não dá para ficar sempre com o mesmo discurso”, concluiu.

O podcast Maquinistas, apresentado por Erich Beting e Gheorge Rodriguez, com a participação de Marco La Porta, presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), estará disponível a partir da próxima terça-feira (10), às 19h (horário de Brasília), no canal da Máquina do Esporte no YouTube.