A polarização de títulos entre Flamengo e Palmeiras no futebol brasileiro na última década não é obra do acaso, mas o resultado de culturas corporativas que, embora distintas, compartilham a mesma essência: a blindagem contra a política interna.
Ao Maquinistas, podcast da Máquina do Esporte, Ricardo Padoveze, executivo de negócios de esporte e entretenimento que ocupou cargos de liderança em ambos os clubes (no Palmeiras entre 2015 e 2022, e no Flamengo entre 2022 e 2024), a hegemonia atual é fruto da capacidade dessas instituições de separar a paixão e as disputas de conselho da gestão profissional.
“Os dois clubes têm gestões muito profissionais e times muito capacitados. A gente enxerga mudanças sutis da própria cultura de cada um, mas, em essência, os dois são muito parecidos do ponto de vista profissional e estrutural. Os dois enxergam o futebol como negócio”, afirmou.
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Um dos maiores desafios dos clubes brasileiros, a interferência da política estatutária no dia a dia da gestão, foi mitigado nas duas equipes. Segundo o executivo, embora a pressão externa e dos conselhos deliberativos sempre exista em agremiações de massa, os departamentos de negócios aprenderam a operar em uma “bolha” de eficiência.
“Os clubes aprenderam a se blindar muito bem dessa influência externa. Como se tornou impossível não seguir um caminho de gestão profissional, os clubes têm cuidado dessa blindagem de um jeito interessante, pensando muitas vezes mais com viés de negócio mesmo”, explicou Padoveze.
Essa proteção permite que projetos de longo prazo sejam executados sem interrupções bruscas causadas por oscilações políticas ou resultados de campo imediatos.
O nível de exigência interna nesses clubes eliminou o espaço para amadorismo, forçando a criação de ambientes propícios para novas receitas e tecnologias.
“O ambiente é propício para a inovação, para o uso de dados e inteligência artificial. Isso flui bem e segue um caminho rápido. Em clubes desse tamanho, existe uma exigência de excelência”, analisou.
“É um caminho sem volta. Todo mundo já enxergou que não dá para não dar a devida atenção a questões estratégicas. Os resultados de hoje são um desdobramento do que foi feito antes. É inevitável ter essa clareza”, concluiu.
O podcast Maquinistas, apresentado por Erich Beting e Gheorge Rodriguez, com a participação de Ricardo Padoveze, executivo de negócios de esporte e entretenimento, estará disponível na próxima terça-feira (3), às 19h (horário de Brasília), no canal da Máquina do Esporte no YouTube:
