A sequência de eventos esportivos de relevância sediados no Brasil ao longo das últimas duas décadas deixou um legado que transcende a construção de novas arenas. O país transformou-se em um laboratório para profissionais da indústria esportiva, o que resultou em uma geração de executivos e especialistas em gestão e operação de eventos.
Esse é o entendimento de Thiago De Rose, consultor estratégico da Arena Events+Venues. Ao Maquinistas, podcast da Máquina do Esporte, o executivo analisou como a mão de obra nacional ganhou protagonismo no exterior.
“O brasileiro ficou muito valorizado por conta da sequência de eventos que a gente teve: Jogos Pan-Americanos, Copa do Mundo, duas Copas Américas, Mundial Sub-17, entre outros eventos. A gente saiu para o mundo”, destacou.
Na avaliação do profissional, o sucesso dos brasileiros nos bastidores do esporte global é consequência da capacidade de adaptação apresentada por estes executivos.
“É a capacidade de resolver problemas. A gente bota a mão na massa, faz correria, não tem tempo ruim. Então, temos profissionais em várias áreas que se especializaram, rodaram o mundo”, explicou.
“Tinha muita gente agora em Milão nas Olimpíadas [de Inverno], gente que foi em Tóquio 2021 e Paris 2024. Onde você vai tem brasileiro. Hoje a gente está trabalhando com a Copa da Ásia, que vai acontecer na Arábia Saudita. Lá no comitê local também tem vários brasileiros, então já tem uma comunidade brasileira lá em Riad. É um fenômeno”, mapeou Thiago.
Concorrência
O conhecimento técnico acumulado na linha de frente da operação de estádios e clubes permitiu que os brasileiros não apenas exportassem talentos individuais, mas também empresas de consultoria robustas.
A Arena Events+Venues, por exemplo, que possui um histórico de atuação nas três últimas Copas do Mundo (2014, 2018 e 2022) e acordos com Conmebol e Concacaf, conseguiu romper a barreira do mercado dominado por corporações tradicionais.
“A gente compete e trabalha junto com consultorias do nível da Parsons, McKinsey, BCG, Deloitte, PWC. Às vezes a gente compete em projetos contra eles, às vezes eles ligam pra gente para a gente entrar junto, porque temos a experiência específica do esporte”, revelou o consultor.
O executivo ressalta que o perfil menos “engravatado” e mais focado na realidade dos estádios é o que tem garantido esse sucesso.
“É um ar novo aí, porque normalmente consultor é tudo aquela galera inglesa, americana, naquele perfil engravatado. E a gente vai mais pelo outro lado para cavar o nosso nicho também”, concluiu.
O podcast Maquinistas, apresentado por Erich Beting e Gheorge Rodriguez, com a participação de Thiago De Rose, consultor estratégico da Arena Events+Venues, está disponível no canal da Máquina do Esporte no YouTube:
