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Puma projeta prejuízo para 2026 e suspende pagamento de dividendos

Marca registra aumento de dívida e aposta em investidor chinês para reverter queda nas vendas e recuperar mercado

Sede da Puma, em Herzogenaurach, na Alemanha - Divulgação

Sede da Puma, em Herzogenaurach, na Alemanha - Divulgação

⚡ Máquina Fast
  • Puma cancela pagamento de dividendos e projeta prejuízo operacional entre € 50 mi e € 150 mi para 2026.
  • Anta Sports compra 29% da Puma e busca ampliar participação da marca no mercado chinês.
  • Dívida líquida da Puma dispara para € 1,064 bilhão em 2025, levando empresa a focar na redução do endividamento.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

A Puma anunciou, nesta quinta-feira (26), o cancelamento do pagamento de dividendos anuais e a previsão de novo prejuízo operacional para o exercício de 2026. A medida faz parte do plano de recuperação liderado pelo CEO Arthur Hoeld, no cargo há sete meses, que busca estabilizar a fabricante de material esportivo após a perda de participação para concorrentes globais.

A projeção da companhia indica um prejuízo operacional entre € 50 milhões e € 150 milhões em 2026. O resultado sucede um ano de 20925 que foi financeiramente difícil, no qual a empresa reportou um prejuízo de € 357,2 milhões. Apesar do saldo negativo, o valor ficou ligeiramente abaixo da perda de 374,3 milhões de euros estimada por analistas de mercado.

No campo das vendas, a Puma registrou uma queda de 8,1% em 2025, totalizando € 7,3 bilhões em termos ajustados pela variação cambial. Para 2026, a expectativa é de que a receita continue em declínio, embora em um ritmo menor, situado na faixa de um dígito baixo a médio.

Estratégia

Para tentar reverter esse cenário, a Puma conta com a entrada da Anta Sports, principal marca de artigos esportivos da China, como investidora estratégica. No mês passado, a empresa chinesa adquiriu 29% de participação na marca alemã.

Atualmente, o mercado da China representa apenas 7% das vendas globais da Puma, fatia que a Anta pretende ampliar após a conclusão da transação. Hoeld demonstrou otimismo com a parceria durante teleconferência de imprensa.

“Vamos acelerar o crescimento da marca Puma daqui para frente, visando o sucesso comercial futuro”, afirmou o executivo.

O CEO da marca ressaltou, porém, que o desempenho na China pode sofrer impactos no curto prazo devido à mudança de modelo de negócio, com a Anta priorizando a venda direta ao consumidor em vez da dependência de varejistas.

Além da frente comercial, a empresa trabalha na gestão de seus ativos físicos. A Puma informou que está liquidando estoques não vendidos com rapidez superior ao planejado inicialmente.

O processo envolve a recompra de produtos excedentes que estavam com varejistas para comercialização direta em suas próprias lojas de fábrica (outlets).

Endividamento

A situação financeira da companhia apresenta desafios quanto ao passivo acumulado. A dívida líquida da Puma saltou de € 119,8 milhões no final de 2024 para € 1,064 bilhão (US$ 1,26 bilhão) no fechamento de 2025. O controle desse montante tornou-se o foco central da diretoria financeira.

“Considerando os elevados níveis de endividamento, estamos reduzindo a nossa alavancagem. Essa é uma prioridade e pretendemos diminuir a dívida nos próximos anos”, declarou Markus Neubrand, diretor financeiro da Puma, referindo-se à estratégia de diminuição do endividamento em relação ao capital próprio da empresa.

Apesar das projeções negativas de lucro e da suspensão dos dividendos aos acionistas, o mercado reagiu com uma leve alta nas ações da empresa nesta quinta-feira, com valorização de 4%.

O movimento ocorre após um período de forte desvalorização, no qual os papéis da Puma acumularam queda de 73% nos últimos cinco anos.