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ESPN é avaliada em US$ 30 bilhões após aquisição da NFL Network

Transação de US$ 3 bilhões inclui participação acionária da liga e integração completa do canal à ESPN

Acordo entre NFL e ESPN já é considerado um divisor de águas na indústria esportiva - Reprodução

Acordo entre NFL e ESPN já é considerado um divisor de águas na indústria esportiva - Reprodução

A ESPN passou a ser avaliada em US$ 30 bilhões após a aquisição da NFL Network e de outras propriedades de mídia ligadas à liga. O negócio, concluído na semana passada, foi registrado em documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários e está avaliado em US$ 3 bilhões.

Além de garantir o canal próprio da NFL na TV a cabo, a ESPN também obteve os direitos de distribuição do NFL RedZone em sua programação linear. Como parte do acordo, a NFL terá uma participação acionária de 10% na ESPN. A Disney passa a deter 72% da empresa, enquanto a Hearst Corp. mantém 18%.

Estrutura

De acordo com o formulário 10-Q da Disney, a companhia poderá readquirir a participação da NFL na ESPN após julho de 2034, caso determinadas metas de desempenho sejam atingidas.

A recompra seria feita por meio de um título de 10 anos avaliado em 70% do valor justo de mercado da época. A NFL, por sua vez, poderá exercer a opção de adquirir mais 4% das ações da ESPN nesse mesmo momento.

A integração da NFL Network à ESPN será percebida pelos telespectadores a partir de abril, quando os funcionários do canal forem incorporados à equipe da empresa.

A plataforma de venda direta ao consumidor (DTC) da ESPN deverá estar pronta antes da temporada 2026/2027 da NFL, que coincide com a primeira produção do Super Bowl pela Disney em duas décadas.

Programação

A ESPN apresentará em setembro sua programação mais abrangente de jogos da NFL ao vivo, com 28 partidas previstas, incluindo sete transmissões originalmente da NFL Network. Como parte do novo acordo, as rodadas duplas do Monday Night Football serão eliminadas.

Em teleconferência com analistas, o CEO da Disney, Bob Iger, afirmou que a aprovação regulatória ocorreu mais rápido do que o esperado.

“Não vou comentar nada sobre o futuro da relação da ESPN com a NFL, exceto para dizer que a NFL tem uma cláusula de rescisão no contrato atual para 2030. Acho prematuro especular sobre o que pode acontecer nesse momento.”

Pelo contrato vigente, a Disney paga à NFL US$ 2,7 bilhões pelo pacote do Monday Night Football.

Gestão

Iger também mencionou seus planos de deixar o cargo de CEO antes do término de seu contrato, em 31 de dezembro.

“Quando voltei, há três anos, havia muita coisa para consertar”, declarou o executivo.

“A boa notícia é que a empresa está em uma situação muito melhor hoje porque fizemos muitos ajustes, mas também implementamos diversas oportunidades”, completou.

Embora não tenha apontado um sucessor, há expectativa de que Josh D’Amaro, presidente da Disney Experiences, seja nomeado para o cargo.

“Quem quer que ocupe o seu lugar receberá, creio eu, uma boa responsabilidade em termos da força da empresa e diversas oportunidades de crescimento”, disse Iger.

Receitas

Segundo o relatório 10-Q da Disney, a ESPN registrou US$ 4,91 bilhões em receita no último trimestre fiscal, com lucro operacional de US$ 191 milhões. Assinaturas e taxas de afiliação representaram US$ 2,98 bilhões, enquanto a publicidade contribuiu com US$ 1,48 bilhão.

As vendas de anúncios nos Estados Unidos cresceram 11% em relação ao ano anterior, impulsionadas pela demanda por espaços em jogos da NFL e do futebol americano universitário.