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Motor / Polêmica na F1

Após ameaça de Hamilton, Mercedes encerra acordo de patrocínio com Kingspan

Empresa enfrenta inquérito por incêndio em prédio residencial de Londres que matou 72 pessoas em 2017

Redação - São Paulo (SP) Publicado em 08/12/2021, às 11h45

Logomarca da Kingspan esteve presente na parte lateral do bico dos carros da Mercedes no GP da Arábia Saudita - Divulgação / Kingspan
Logomarca da Kingspan esteve presente na parte lateral do bico dos carros da Mercedes no GP da Arábia Saudita - Divulgação / Kingspan

A Mercedes anunciou, nesta quarta-feira (8), o encerramento do acordo de patrocínio com a empresa irlandesa Kingspan, especializada em materiais de construção, que havia sido assinado para as duas últimas provas da temporada. Com isso, a marca, que havia aparecido nos carros de Lewis Hamilton e Valtteri Bottas no GP da Arábia Saudita, não estará presente no GP de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, que encerrará a temporada 2021.

O distrato é consequência de uma série de críticas recebidas pela escuderia alemã com relação ao acordo. A Kingspan está envolvida em um inquérito público em andamento em Londres, na Inglaterra, no episódio que ficou conhecido como “a tragédia da Torre Grenfell”. Em junho de 2017, 72 pessoas morreram em um incêndio no prédio residencial Torre Grenfell, após o fogo ter se espalhado rapidamente devido ao revestimento do edifício ser considerado inseguro. Parte do material havia sido fornecido pela Kingspan.

Grupos que representam as vítimas e sobreviventes da tragédia, chamados de Grenfell United, descreveram o acordo como “verdadeiramente chocante”. E até o secretário de habitação do Reino Unido, Michael Gove, criticou publicamente a parceria. O estopim para o encerramento do acordo, no entanto, pode ter sido a ameaça do heptacampeão Lewis Hamilton, maior astro da Fórmula 1, de retirar do seu próprio carro a logomarca da Kingspan. O piloto britânico é conhecido por abraçar causas sociais e lutar contra racismo e homofobia, por exemplo.

Em comunicado oficial, a Kingspan afirmou que, quando a Mercedes abordou a empresa para “presidir seu novo Grupo de Trabalho de Sustentabilidade”, ela viu isso como “uma oportunidade única" para unir sustentabilidade e esporte. No entanto, enxergou que, no momento, o melhor para os dois lados é o término da parceria. “Estamos profundamente cientes das sensibilidades levantadas nos últimos dias e, portanto, concordamos que não é apropriado avançar no momento atual”, destacou o documento.

Em sua defesa com relação à tragédia, a Kingspan afirma que a principal razão para a rápida propagação do fogo na Torre Grenfell foi o revestimento de material composto de alumínio com núcleo de polietileno utilizado no exterior do edifício. Além disso, a empresa não teria fornecido ou recomendado o uso de seu produto K15 no prédio. O material constituía 5% da camada de isolamento do lado de fora da Torre Grenfell, mas a Kingspan diz que foi mal utilizado, de forma insegura, sem o seu conhecimento.