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Motor / Voz Ativa

Com eventos, Catar vira alvo de protestos de Lewis Hamilton e Dinamarca

Piloto e seleção de futebol se colocam contra violação de direitos do país que recebe F1 e Copa do Mundo

Erich Beting - São Paulo (SP) Publicado em 19/11/2021, às 10h49 - Atualizado às 10h51

Lewis Hamilton compete com capacete com cores alusivas ao movimento LGBTQIA+ neste final de semana, no GP do Catar - Divulgação / Mercedes
Lewis Hamilton compete com capacete com cores alusivas ao movimento LGBTQIA+ neste final de semana, no GP do Catar - Divulgação / Mercedes

O piloto inglês Lewis Hamilton, maior influenciador da Fórmula 1 na atualidade, foi à pista para o primeiro treino de inauguração do GP do Catar de F1, nesta sexta-feira (19), com um capacete tendo as cores do arco-íris pintadas. Na parte de trás do artefato, a frase “We Stand Together” (“Estaremos Juntos”, em tradução livre), serve como uma clara alusão de defesa ao movimento LGBTQIA+.

Antes disso, na quarta-feira (17), depois de a Dinamarca assegurar uma vaga na Copa do Mundo FIFA de 2022, que será disputada justamente no Catar, a Federação Dinamarquesa de Futebol (DBU) anunciou que usará a camisa de treino da seleção nacional durante o torneio para destacar as questões de direitos humanos e que não participará de qualquer ação comercial relacionada à Copa.

Os dois casos reforçam uma realidade que deve vir a ser cada vez mais intensa nos próximos meses, quando o Catar entrará de vez no centro da mídia mundial por conta da realização de eventos esportivos internacionais.

É a típica história de o feitiço virar-se contra o feiticeiro.

Há alguns anos, o Catar começou a usar o esporte para promover e tentar melhorar a imagem do país globalmente. Parte de um projeto de expansão do pequeno emirado do Oriente Médio para o mundo, na tentativa de consolidar o turismo para Doha e demais cidades, o investimento na realização de grandes eventos e projetos esportivos, porém, cobra seu preço.

País com péssimas condições de igualdade e liberdade para as pessoas, o Catar começa a sofrer diretamente com as críticas de quem, por obrigação contratual, precisa ir até o país disputar competições.

“Conforme as competições esportivas vão para esses locais, elas (competições) têm o dever de colocar em foco esses problemas. Esses lugares precisam de escrutínio. Direitos iguais são uma questão séria. Sei que esses países estão tentando melhorar nessas questões e que não se pode mudar do dia para a noite”, analisou Lewis Hamilton, após aparecer com o capacete como uma forma de protesto.

Na Dinamarca, o discurso foi parecido. A principal crítica da DBU é em relação às péssimas condições de trabalho das pessoas nas construções de estádios, a maioria imigrantes. Relatos e acusações feitas por diversos órgãos, como a Anistia Internacional, apontam para condições precárias de segurança e centenas de mortes de funcionários que foram escondidas pelo governo catariano.

“Há muito tempo, a DBU critica muito a Copa do Mundo no Catar, mas agora estamos intensificando nossos esforços e um diálogo ainda mais crítico. Aproveitamos o fato de estarmos qualificados para o Mundial para trabalhar por mais mudanças no país”, disse Jakob Jensen, executivo-chefe da DBU.

O dirigente também enalteceu o apoio dos patrocinadores da seleção, que usarão o espaço que teriam na camisa para também alertar para a questão humanitária.

“É um sinal muito forte quando nossos parceiros também se engajam na luta por melhores relações no Catar. Os parceiros apoiam o futebol dinamarquês, a seleção masculina e a participação esportiva na Copa do Mundo. Não o anfitrião do evento”, declarou.