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Motor / Fórmula 1

Com ingressos praticamente esgotados, F1 recolocará São Paulo no calendário de eventos

Após mais de um ano e meio de pandemia, GP de São Paulo servirá como divisor de águas na cidade

Redação - São Paulo (SP) Publicado em 05/11/2021, às 08h29 - Atualizado às 08h31

GP de São Paulo será primeiro evento internacional que a capital paulista organizará desde o início da pandemia - Divulgação
GP de São Paulo será primeiro evento internacional que a capital paulista organizará desde o início da pandemia - Divulgação

Com ingressos esgotados em praticamente todos os setores (ainda há alguns disponíveis do Pit Stop Club à venda no site da Eventim), a Fórmula 1 volta a São Paulo, após um ano de ausência por conta da pandemia, com 100% da capacidade do público liberada no Autódromo de Interlagos. Agora sob o nome de Grande Prêmio São Paulo, a etapa brasileira da principal categoria do automobilismo mundial recoloca a capital paulista no cenário dos grandes eventos esportivos internacionais, além de movimentar a economia.

Segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a etapa brasileira da F1 trouxe, em 2019, uma injeção de R$ 670 milhões para a economia de São Paulo, sendo responsável por 8 mil empregos diretos. A transmissão da corrida pela TV para cerca de 180 países também assegura um excelente retorno de imagem para a cidade.

Os protocolos para a realização da corrida ainda não foram divulgados pelo poder público, mas diversos cuidados deverão ser tomados para evitar contaminações, como a exibição de um documento de comprovação da vacinação e a medição de temperatura nas entradas do autódromo, além do uso de máscaras durante o evento e dispensers com álcool em gel espalhados por todo o local do evento.

Após o hiato do ano passado, as expectativas pela volta da F1 ao Brasil cresceram. Para Alan Adler, promotor do GP São Paulo de Fórmula 1, as respostas de torcedores e parceiros comerciais do automobilismo têm sido acima do esperado pelos organizadores.

“A recepção do  público está sendo a melhor possível. Há algumas semanas estamos com os ingressos esgotados. Além disso, a interação com os nossos canais de atendimento tem sido muito intensa, com pessoas do país inteiro buscando informações”, contou o executivo, em entrevista à Máquina do Esporte.

Para Adler, além do interesse natural dos fãs de automobilismo, o GP São Paulo também atrai o desejo represado do paulista, e mesmo do brasileiro em geral, de participar de eventos públicos após mais de um ano e meio com poucas opções nos calendários da cidade e do país.

Isso só será possível por conta do avanço da vacinação no Brasil. No último dia 20 de outubro, o país atingiu o marco de 50% da população totalmente imunizada contra a Covid-19, contando segunda dose (Coronavac, Pfizer e AstraZeneca) ou com vacina de dose única (Janssen). Mais de 70% da população brasileira já tomou ao menos a primeira dose da vacina.

Em São Paulo, o esquema vacinal avançou ainda mais. Segundo dados do governo do estado divulgados no último dia 25 de outubro, 100% da população adulta já tomou ao menos uma dose da vacina. Além disso, mais de 86% das pessoas com mais de 18 anos já estão totalmente imunizadas contra a doença. Isso indica que o vírus tende a parar de circular no estado de São Paulo em breve.

“O sucesso da vacinação no país, em especial em São Paulo, despertou nas pessoas o desejo de confraternizar, de estar em uma grande festa. E é isso que, com toda a segurança, estamos preparando para o público que vai a Interlagos: uma grande festa”, afirmou Adler.

Atração em todos os dias

Para este ano, o GP São Paulo ganhou novo formato, o que faz com que os três dias de competição atraiam o interesse de torcedores e patrocinadores.

Após testar em Silverstone (Grã-Bretanha) e Monza (Itália), a Liberty Media, detentora dos direitos comerciais da F1, definiu São Paulo como a terceira e última etapa deste ano em que haverá a sprint race. Com isso, o treino classificatório, que seria normalmente disputado no sábado (13), foi antecipado para sexta-feira (12).

Dessa forma, no sábado (13), haverá a disputa da prova curta, com 24 voltas (pouco mais de 100 km), na qual os três primeiros colocados ganham pontos. Essa prova estabelece as posições de largada para a corrida completa do domingo (14), que terá 71 voltas pelo circuito de Interlagos.

A ideia da Liberty Media é que esse formato seja utilizado em pelo menos um terço das etapas da F1 no ano que vem.

Por fim, para servir como preliminar do GP São Paulo de F1, o final de semana de automobilismo em Interlagos terá a etapa final da categoria Sprint da Porsche Cup, que é uma competição nacional, mas disputada exclusivamente com carros da marca alemã.

Volta ao Brasil

A Fórmula 1 retorna ao país após o cancelamento no ano passado, em um dos períodos mais duros da pandemia de Covid-19. Foi a primeira vez em 47 anos que o Grande Prêmio do Brasil de F1, um dos mais tradicionais da categoria, não foi realizado.

O problema, no entanto, não foi exclusivo do Brasil. No ano passado, os organizadores da principal categoria do automobilismo mundial tiveram que fazer diversas mudanças no calendário, o que culminou com o cancelamento de várias provas em todo o mundo. Austrália, Mônaco, França, Holanda, Japão, Singapura, Vietnã, Azerbaijão, Estados Unidos, Canadá e México foram outros locais que perderam suas provas em 2020.

Para Alan Adler, a medida foi necessária naquele momento. “Acho que a perda principal da cidade no período de pandemia foram as vidas. O cancelamento do GP foi decorrência de uma tragédia, não havia outra alternativa”, destacou o executivo.

Agora, o promotor do GP São Paulo diz que quer planejar o evento deste e dos próximos anos, já que São Paulo assinou contrato com a F1 até 2025.

“Prefiro olhar para o que a cidade, o estado e o país vão ganhar com a volta: empregos, arrecadação de impostos, divulgação no exterior e, o mais importante, milhares de pessoas tendo momentos alegres, depois de um período de muitas dificuldades”, finalizou Adler.