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EXCLUSIVO: Fórmula 1 quebra contrato com a Rio Motorsports

por Erich Beting - São Paulo (SP)
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Não durou nem dois meses o acordo da Rio Motorsports com a Fórmula 1 para a comercialização dos direitos de transmissão da categoria no país. A falta de garantias financeiras entre a empresa e a Liberty Media, gestora comercial da categoria, causou o rompimento do acordo que tinha sido fechado em setembro, segundo apurou a Máquina do Esporte.

Com isso, a Liberty e a FOM (Formula One Management) assumiram diretamente a negociação com empresas de mídia no Brasil, recolocando no cenário o Grupo Globo, que não havia chegado a um acordo com a empresa para manter o negócio a partir de 2021. 

Em nota à Máquina do Esporte, a Rio Motorsports confirmou o rompimento do acordo com a Liberty, mas deu outra justificativa para o desfecho infeliz do negócio, que é mais um na lista de fracassos da empresa em sua breve história no marketing esportivo brasileiro.

"A Rio Motorsports comunica que decidiu por declinar da opção dos direitos de transmissão da Fórmula 1 no Brasil. A decisão foi tomada devido às incertezas com o calendário para a temporada 2021, provocadas pela segunda onda de contagio por COVID-19 na Europa. Diante do cenário, somado ao fato da possibilidade dessa nova onda se expandir para outros continentes, a Rio Motorsports reavaliou este investimento e abriu espaço para que a Fórmula 1 possa negociar diretamente com as empresas de televisão no Brasil", disse a empresa ao ser questionada pela reportagem da Máquina do Esporte.

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F1 TV no Brasil era um dos lançamentos previstos pela Liberty Media sem a Globo na transmissão da categoria (Foto: Reprodução)
F1 TV no Brasil era um dos lançamentos previstos pela Liberty Media sem a Globo na transmissão da categoria (Foto: Reprodução)
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O desfecho é mais um que se soma à coleção de fracassos da Rio Motorsports, que tem à frente o empresário JR Pereira. No começo deste ano, a empresa chegou a fechar com a Dorna Sports, detentora dos direitos comerciais da Moto GP. O negócio era similar ao que havia sido acordado com a Liberty Media. A Rio Motorsports negociaria os direitos de mídia da categoria no Brasil. A empresa chegou a fechar um acordo com a ESPN, mas nunca repassou à Dorna os valores recebidos. Isso levou a empresa a quebrar o contrato durante a paralisação provocada pela pandemia do coronavírus.

Nesse mesmo período, a empresa tentou dar uma cartada para comprar os canais Fox Sports da Disney. Chegou a apelar ao Cade para impedir a fusão entre ESPN e Fox, mas viu os planos serem frustrados ao não apresentar garantias financeiras para assegurar a aquisição e, ainda, manter o canal em funcionamento. 

Quando assinou com a Liberty os direitos de mídia da Fórmula 1, em setembro, JR Pereira celebrou o acerto do que viria a ser uma "parceria de longo prazo".

"Estamos comprometidos em aumentar a base de fãs no Brasil e em oferecer uma nova experiência de transmissão para os brasileiros que amam o esporte há mais de 40 anos", afirmou o executivo em nota.

A empresa chegou a buscar outras emissoras de TV para transmitir a categoria, mas nenhuma delas estava disposta a pagar o que a Rio Motorsports queria receber pela temporada completa. Com a temporada de 2020 chegando ao fim e sem perspectivas de conseguir pagar pelo investimento, a empresa teve de devolver para a Liberty o negócio. Tanto que a Globo passou a ser procurada para conversar com a empresa. 

Agora, a Rio Motorsports volta a concentrar seus esforços para o projeto de construção de um autódromo em Deodoro, no Rio de Janeiro. O plano, que tem o apoio do presidente da República, Jair Bolsonaro, não tem conseguido as licenças ambientais necessárias para sair do papel. A ideia de ter o GP do Brasil na cidade em 2021 já fez água, tanto que a Fórmula 1 havia divulgado um pré-calendário já sem uma etapa no país.

Com a reviravolta do quadro nos últimos dias, a F-1 divulgou a temporada de 2021 com o GP do Brasil previsto para 14 de novembro, em Interlagos. A entidade, porém, confirmou que negocia o contrato com promotores no país. A tendência é que seja feito um acordo de pelo menos cinco anos, com a agência IMM, produtora do Rio Open, que passaria a ser responsável pela prova no Brasil. O autódromo no Rio, com isso, não teria evento da grandeza de uma F-1 para realizar pelo menos até 2025.

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