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Motor / Fórmula 1

F1 voltará a São Paulo com novo nome, disputa por título e inovações

Agora como GP de São Paulo, prova promete emoção no duelo acirrado entre Lewis Hamilton e Max Verstappen

Redação - São Paulo (SP) Publicado em 05/11/2021, às 08h07 - Atualizado às 08h09

Interlagos receberá a Fórmula 1 com intensa disputa pelo título da temporada e inovações dentro e fora das pistas - Divulgação / F1
Interlagos receberá a Fórmula 1 com intensa disputa pelo título da temporada e inovações dentro e fora das pistas - Divulgação / F1

A Fórmula 1 estará de volta ao Autódromo de Interlagos com uma série de inovações. Após ficar fora do calendário da categoria em 2020 por conta da pandemia do coronavírus, o evento retorna à cidade com novo nome: GP São Paulo de Fórmula 1. A prova será disputada no dia 14 de novembro.

A capital paulista está garantida no calendário da principal categoria do automobilismo até 2025. O novo nome visa impulsionar o turismo e os negócios na cidade durante o maior evento internacional do calendário esportivo brasileiro.

O governo do estado e a prefeitura de São Paulo liberaram 100% do público para o GP São Paulo. A princípio, o evento será exclusivo para quem estiver vacinado e/ou testado contra a Covid-19. Segundo o governador João Doria, toda a população de São Paulo estará vacinada com a segunda dose até o final de outubro. No último dia 25 de outubro, o site do governo divulgou que 86% da população acima de 18 anos já está com esquema vacinal completo. As regras sanitárias para o evento ainda serão divulgadas pelos poderes estadual e municipal.

Disputa acirrada

Neste ano, o interesse pelo campeonato ganhou um aliado a mais: a disputa acirrada pelo título entre Lewis Hamilton e Max Verstappen. Desde 2014, a F1 vinha sendo dominada pelo britânico, que enfileirou, neste período, seis conquistas, perdendo apenas uma temporada para o então companheiro de equipe na Mercedes, Nico Rosberg, em 2016.

Até o momento, a dupla conquistou a vitória em 13 dos 17 GPs disputados. O holandês obteve oito triunfos (Emília-Romagna, Mônaco, França, Estíria, Áustria, Bélgica, Holanda e Estados Unidos), enquanto Hamilton ganhou outras cinco provas (Bahrein, Grã-Bretanha, Portugal, Espanha e Rússia). Neste domingo (7), os dois ainda medirão forças no GP do México antes de desembarcarem no Brasil.

O equilíbrio até aqui garante que o campeonato chegará a Interlagos sem ter o campeão definido. E a decisão dificilmente acontecerá antes da reta final do campeonato, que, após o GP São Paulo, terá etapas no Catar e na Arábia Saudita, que estreiam no calendário, e Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, que encerra a temporada.

As outras vitórias em 2021 foram conquistadas por pilotos que mostraram serem capazes de surpreender os dois favoritos: Sergio Pérez (Red Bull), Esteban Ocon (Alpine), Daniel Ricciardo (McLaren) e Valtteri Bottas (Mercedes).

De quebra, ainda há o duelo entre a Mercedes, equipe de Hamilton, e a Red Bull, time de Verstappen, pela hegemonia do Mundial de pilotos. As duas escuderias levaram seus pilotos ao título nas últimas 11 temporadas.

Outro destaque é o retorno de Fernando Alonso, que ficou fora das duas últimas temporadas. O espanhol, que conquistou seus dois títulos do Mundial de pilotos em Interlagos, possui uma legião de fãs no Brasil.

Entre os mais experientes, outro campeão mundial na pista será Sebastian Vettel, que correrá pela primeira vez defendendo a Aston Martin no Brasil. Além disso, será a última chance de ver Valtteri Bottas com a Mercedes, já que o finlandês será piloto da Alfa Romeo a partir de 2022, e a última vez que o campeão mundial de 2007, o também finlandês Kimi Raikkonen, correrá de F1 no país, uma vez que se aposentará da categoria ao final da temporada.

Por outro lado, há uma expectativa pela nova geração de pilotos ingleses: George Russell, de 23 anos, e Lando Norris, de 21. Russell, da Williams, será companheiro de equipe de Hamilton na Mercedes no ano que vem. Já Norris defende a McLaren e está garantido na equipe para a próxima temporada. 

Por fim, a Ferrari, equipe mais tradicional da Fórmula 1 e dona da maior torcida, terá o monegasco Charles Leclerc e o espanhol Carlos Sainz dividindo os cockpits pela primeira vez em Interlagos.

Além da F1, o público que comparecer ao circuito na zona sul da capital paulista ainda terá a Porsche Cup como atração preliminar à principal categoria do automobilismo mundial.

Formato inovador

Para dar mais atratividade aos três dias de evento, a prova deste ano será uma das três do calendário da F1 disputada com o “bônus” da sprint race.

Na sexta-feira (12), haverá o treino classificatório, que define a largada da corrida curta de sábado (13). Neste dia, os pilotos disputam uma prova de 24 voltas (pouco mais de 100 km). Nela, apenas os três primeiros colocados ganham pontos. A corrida define as posições de largada para a prova completa de domingo (que terá 71 voltas).

Ou seja, todos os dias são importantes e valem alguma coisa para pilotos e equipes. O formato, testado pela Liberty Media em Silverstone (Grã-Bretanha) e Monza (Itália), deve ser utilizado em pelo menos um terço das provas da F1 em 2022. A empresa é a atual gestora da categoria.

Sucesso na Netflix

Essa e outras inovações aumentaram o engajamento da categoria com o público jovem. Segundo o site britânico SportsPro Media, o primeiro fator que explica esse crescimento é a série documental “Fórmula 1: Drive to Survive”, da Netflix, que mostra os bastidores do campeonato. A série original da plataforma de streaming estreou em 8 de março de 2019 com uma visão exclusiva e “por dentro” da temporada de 2018.

Desde então, três temporadas já foram ao ar e atraíram cada vez mais jovens ao redor do mundo por causa da linguagem acessível e dos conteúdos inéditos. O sucesso da série impulsionou, inclusive, o aumento da audiência das corridas da categoria na TV.

Nos Estados Unidos, por exemplo, a transmissão da F1 tem atraído, em média, 946 mil torcedores. Isso significa um aumento de 41% em relação a 2019 (último ano sem os efeitos da pandemia) e um incremento de 56% sobre o ano passado.

Os GPs da França e da Grã-Bretanha, por exemplo, conquistaram audiência média de mais de 1 milhão de pessoas. A prova francesa foi a segunda maior audiência a cabo já registrada para uma prova da F1 deste o GP Brasil de 1995, o primeiro disputado no país após a morte de Ayrton Senna.

Com o crescimento, a F1 já ameaça a Nascar e a Indy, suas concorrentes domésticas nos Estados Unidos. A confirmação do GP de Miami para 2022, que terá o envolvimento do ex-jogador David Beckham na organização, é outro fator que mobiliza os fãs norte-americanos da categoria.

De acordo com pesquisa da Nielsen, 77% do crescimento do público da F1 veio da faixa etária jovem (entre 16 e 35 anos). O interesse desse público saltou de um em cada quatro jovens para um em cada três. Eles equivalem, hoje, a 46% dos fãs da categoria.

“O aumento no interesse que vemos é extremamente encorajador e reforça a F1 como uma das propriedades esportivas líderes globais”, apontou Matt Roberts, diretor de pesquisa e análise da categoria.

Diversidade e inclusão

Além da testagem de novos formatos e da série da Netflix, outros fatores atraíram os jovens: redes sociais, iniciativas inovadoras e o investimento nos e-Sports.

Além da série de documentários da Netflix, o “Grande Prêmio Virtual” do ano passado também foi um sucesso entre os jovens telespectadores. Durante a paralisação do campeonato, no ano passado, no auge da pandemia, pilotos como Charles Leclerc, Lando Norris, George Russell e Alex Albon fizeram transmissões via Twitch para interagir com os fãs.

“Jovens pilotos experientes em mídias sociais, como Lando Norris, estão ajudando a alcançar novos consumidores por meio de plataformas como Twitch e YouTube”, atestou Tom McCormack, chefe de direitos comerciais da Nielsen.

“Ao adotar essas plataformas, bem como serviços OTT como a série documental na Netflix, a Fórmula 1 está bem-posicionada para converter diletantes no esporte em fãs a longo prazo e gerar interesse sem precedentes”, acrescentou.

O lançamento da força-tarefa “We Race As One”, sobre igualdade e diversidade, que busca oferecer oportunidades a grupos minoritários, também repercute entre os jovens. A iniciativa, introduzida em 2020, aconteceu após Lewis Hamilton, primeiro piloto negro a disputar a categoria, cobrar publicamente um posicionamento da F1 em relação ao tema.

“O compromisso contínuo da F1 com a iniciativa ‘We Race As One’, que se concentra na sustentabilidade, diversidade, inclusão e comunidade, também fala ao público mais jovem que valoriza essas questões”, afirmou McCormack.

De acordo com o SportsPro Media, o sucesso da categoria também pode ser visto nos e-Sports. O Virtual Grand Prix, disputado em 2020, ano em que a temporada foi atrasada em quatro meses por causa da pandemia, fez muito sucesso entre os jovens. Já em 2021, foi introduzida a Women’s Wildcard, exclusiva para mulheres, e a F1 anunciou que mais de 494 mil pessoas buscaram qualificação para a e-Sports Series. Houve um aumento de 108% em relação ao ano passado.

No Brasil, a migração das transmissões para a Band, após 41 anos com a Globo, não fez com que o interesse caísse. A emissora paulista tem promovido a F1 como uma de suas principais atrações do fim de semana, com a transmissão dos treinos livres e do classificatório no BandSports, além da definição do grid e as corridas no canal aberto (que ainda conta com programas antes e após as provas) e no BandPlay. Depois, à noite, em horário alternativo, o BandSports passa o VT da corrida. Por fim, os GPs também são transmitidos ao vivo pela Rádio BandNews FM.