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Motor / Fórmula 1

GP São Paulo de F1 gera R$ 670 milhões em receitas e 8,5 mil postos de trabalho

Em 2019, a cada R$ 1 investido na realização do evento, houve retorno de R$ 5,20 para a economia do país

Redação - São Paulo (SP) Publicado em 05/11/2021, às 08h45 - Atualizado às 08h49

Torcida costuma lotar as arquibancadas de Interlagos e movimentar a economia durante o fim de semana do GP de F1 - Getty Images
Torcida costuma lotar as arquibancadas de Interlagos e movimentar a economia durante o fim de semana do GP de F1 - Getty Images

O retorno da Fórmula 1 ao Brasil nesta temporada gerará um impacto econômico significativo para o país. Agora com o nome de Grande Prêmio São Paulo de Fórmula 1, o evento está marcado para acontecer entre os dias 12 e 14 de novembro.

Para este ano, ainda há os investimentos represados pela não realização da prova no ano passado, cancelada por causa da pandemia do coronavírus. É essa a expectativa de Alan Adler, promotor do GP São Paulo de F1.

“O GP de São Paulo, em especial nesta retomada econômica da cidade, tem efeito positivo em vários setores. Em 2019 [último ano em que o GP foi realizado], o impacto econômico total da competição para a cidade foi da ordem de R$ 670,1 milhões, mais cerca de R$ 111 milhões de receita com os tributos gerados pela movimentação econômica”, afirmou o executivo, citando estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) sobre o evento, feito em 2019.

Segundo a pesquisa, a realização do principal evento esportivo internacional da cidade de São Paulo há dois anos gerou 8 mil empregos diretos. Para 2021, a expectativa é ainda maior.

“No que se refere à geração de empregos, além de 12 mil profissionais credenciados diretamente para trabalhar na realização do evento, foram criados mais de 8.500 postos de trabalho relacionados à competição”, contou Adler.

O estudo da FGV de 2019 também apontou que, para cada R$ 1 investido na realização do GP São Paulo, houve retorno de R$ 5,20 para a economia do país.

A mudança de nome, de GP Brasil para GP São Paulo, também dará maior visibilidade internacional à cidade. A alteração aconteceu no novo contrato assinado pelo governo do estado de São Paulo, que prevê a realização do GP de F1 na cidade até 2025.

“Com toda certeza, a incorporação do nome vai ajudar a divulgar ainda mais a cidade. De acordo com um levantamento realizado por uma consultoria especializada, a visibilidade que o GP dará para a cidade de São Paulo em todo o mundo equivale a U$ 300 milhões ao ano em publicidade”, comentou Adler.

Neste ano, o GP São Paulo representa a retomada dos grandes eventos na capital paulista. O governo do estado e a prefeitura de São Paulo liberaram a presença de 100% da capacidade do Autódromo de Interlagos nos três dias de evento. E todos os pacotes de ingressos colocados à venda já foram vendidos.

Isso só foi possível com o avanço da vacinação no Brasil e, particularmente, em São Paulo. O país atingiu, no último dia 20 de outubro, mais de 50% da população com o ciclo vacinal completo, ou seja, com a segunda dose da vacina ou o imunizante em dose única. Mais de 70% da população já tomou ao menos a primeira dose.

No caso de São Paulo, os números são ainda melhores. Segundo dados do governo do estado divulgados no último dia 25 de outubro, 100% da população adulta já tomou a primeira dose da vacina contra a Covid-19. Além disso, mais de 86% das pessoas com mais de 18 anos já estão imunizadas de forma integral. Se for considerado o esquema vacinal completo, mais de 65% da população (incluindo menores de idade) estão imunizados. Segundo especialistas, com 70% da população imunizada, o vírus para de circular.

Apesar dos números positivos, as incertezas em relação à pandemia fizeram com que os organizadores tivessem que pensar o GP trabalhando com diversas possibilidades.

“Acredito que o principal desafio foi planejar um evento desse porte em um contexto de grandes incertezas. Tivemos que projetar a realização do evento em diferentes cenários.  Felizmente, vamos realizar o GP com as pessoas vacinadas, e com a vida, pouco a pouco, voltando ao normal”, destacou Adler.

Todos esses fatores impulsionam a expectativa de quebrar, neste ano, o recorde de público do antigo GP Brasil de F1. A marca pertence a 2001, quando o evento levou 174 mil pessoas ao Autódromo de Interlagos. Em 2019, um total de 158.213 torcedores passaram pelo circuito paulistano.

Para superar a marca de público, além do interesse represado por um ano e meio sem grandes eventos por causa da pandemia, o GP São Paulo terá três dias com atrações para a torcida.

A capital paulista será uma das três etapas da temporada em que a Liberty Media, detentora dos direitos comerciais da Fórmula 1, decidiu testar a sprint race. Na sexta-feira (12), haverá treino classificatório, que define o grid para a corrida curta do dia seguinte.

No sábado (13), os pilotos disputam a corrida curta, com 24 voltas (pouco mais de 100 km), que vale pontos para os três primeiros colocados. A ordem de chegada também serve de grid para a prova longa de domingo (14), com as tradicionais 71 voltas pelo circuito de Interlagos.

O formato já foi testado em outras duas provas nesta temporada: o GP da Grã-Bretanha, em julho, no circuito de Silverstone; e o GP da Itália, em setembro, em Monza.

A ideia deu tão certo nesta temporada que a Liberty Media planeja adotar a iniciativa em pelo menos um terço das provas da categoria no ano que vem.

Com o novo formato, todos os dias serão importantes, e a expectativa é que o autódromo tenha mais público também na sexta-feira e no sábado.

“Acredito que neste ano vamos ter números ainda melhores [do que nas edições anteriores do GP], pois vamos ter três dias de eventos”, previu Adler.

O perfil do público em 2021 será um pouco diferente dos anos anteriores. Segundo os organizadores, pelo fato de as viagens internacionais ainda não terem retomado o patamar de antes da pandemia, haverá maior presença de turistas domésticos.

“Para um ano atípico devido à pandemia, teremos um percentual bem menor de estrangeiros presentes ao GP. Entretanto, o percentual do público que vem de fora da cidade de São Paulo, que sempre foi em torno de 50%, neste ano está crescendo para aproximadamente 70%. É um crescimento significativo, que com certeza refletirá em toda a cadeia hoteleira, que costuma ficar praticamente com 100% de ocupação durante o final de semana do evento”, explicou o executivo.

A mudança de data da corrida também beneficiará o turismo doméstico. Em agosto, a FOM (Formula One Management), entidade responsável pela competição, adiou em uma semana o GP São Paulo, que inicialmente estava marcado para o fim de semana de 5 a 7 de novembro. A mudança aconteceu por conta do cancelamento das etapas da Austrália e do Japão em virtude da pandemia.

Com isso, a etapa nacional da F1 ganhou um atrativo a mais para os brasileiros, já que a segunda-feira posterior à prova (15 de novembro) é feriado nacional. Será uma boa chance para aproveitar mais um dia com o que São Paulo tem a oferecer ou para voltar para casa sem atropelos.