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Motor / Mercedes na berlinda

Lewis Hamilton ameaça tirar patrocínio da Mercedes do próprio carro

Nova parceira da equipe, Kingspan enfrenta inquérito por incêndio em prédio residencial de Londres que matou 72 pessoas

Redação - São Paulo (SP) Publicado em 07/12/2021, às 15h22

Logomarca da Kingspan esteve presente na parte lateral do bico dos carros da Mercedes no GP da Arábia Saudita - Reprodução
Logomarca da Kingspan esteve presente na parte lateral do bico dos carros da Mercedes no GP da Arábia Saudita - Reprodução

Conhecido por usar seu nome e seu capacete para abraçar causas e lutar contra racismo e homofobia, por exemplo, o heptacampeão mundial de Fórmula 1 Lewis Hamilton ameaçou, nesta segunda-feira (6), tirar de seu carro a marca de um novo patrocinador da Mercedes. A empresa em questão é a irlandesa Kingspan, especializada em materiais de construção, que assinou um contrato com a equipe alemã para as duas últimas provas da temporada.

O patrocínio foi fechado na semana passada para valer em Jidá (Arábia Saudita) e Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos). No entanto, desde a divulgação, a parceria recebeu uma série de reações negativas. Isso porque a Kingspan está envolvida em um inquérito público em andamento em Londres, na Inglaterra, no episódio que ficou conhecido como “a tragédia da Torre Grenfell”. Em junho de 2017, 72 pessoas morreram em um incêndio no prédio residencial Torre Grenfell, após o fogo ter se espalhado rapidamente devido ao revestimento do edifício ser considerado inseguro. Parte do material havia sido fornecido pela Kingspan.

Grupos que representam as vítimas e sobreviventes da tragédia, chamados de Grenfell United, descreveram o acordo como “verdadeiramente chocante”. E até o secretário de habitação do Reino Unido, Michael Gove, criticou publicamente a parceria. Após a marca ter aparecido nos carros de Lewis Hamilton e Valtteri Bottas em Jidá, as críticas aumentaram ainda mais, em especial porque a última prova da temporada, em Abu Dhabi, deverá alcançar audiencia recordé por conta da disputa pelo título de Hamilton com Max Verstappen.

Para tentar esfriar os ânimos, o chefe de equipe da Mercedes, Toto Wolff, escreveu uma carta pedindo desculpas ao Grenfell United. Na carta, o executivo lamentou “a dor adicional que o anúncio causou” e afirmou que a escuderia alemã quis saber da Kingspan o verdadeiro papel da empresa na tragédia antes de assinar o contrato.

“Enquanto 72 dos nossos entes queridos foram mortos, 18 dos quais eram crianças, a Kingspan e outros saíram ilesos até agora. Exortamos você a estar conosco em nossa luta por justiça, para que a Fórmula 1 e toda a indústria percebam que o dinheiro não vem antes da vida humana”, respondeu o Grenfell United, em uma declaração oficial.

Principal estrela da Mercedes e da F1 há vários anos, Lewis Hamilton, que, assim como as vítimas da tragédia, é britânico, deixou claro que não teve nada a ver com o acordo fechado pela equipe e deu a entender que a marca pode não estar no seu carro na corrida decisiva da temporada.

“Não é algo que eu sinta que devo falar publicamente. Foi novidade para mim e fiquei muito atento e acompanhando de perto todas as famílias afetadas pelo que aconteceu ali. Sabemos que tem havido um grande clamor e uma quantidade incrível de apoio por parte das pessoas da comunidade ao redor. Infelizmente, meu nome está associado à marca porque esteve no meu carro. No entanto, se vai mesmo permanecer para Abu Dhabi, veremos”, ameaçou o piloto.