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Motor / Nova velha casa

TV aberta, OTT e dinheiro: os motivos que tiraram a Globo da Fórmula 1

Erich Beting Publicado em 08/02/2021, às 11h50

Imagem TV aberta, OTT e dinheiro: os motivos que tiraram a Globo da Fórmula 1
Lewis Hamilton celebra o primeiro lugar na Fórmula 1 em 2020; a partir de 2021, Band será a
Divulgação

A volta da F-1 para a Band após 40 anos foi a maior surpresa do começo deste ano. Depois de voltar a apostar no esporte como plataforma para ganhar relevância em 2020, a emissora agora dá um novo salto. Passa a ter um grande evento internacional com exclusividade em sua grade e dá mostras de que o “Show do Esporte” pode ser repaginado na TV aberta após um hiato de quase 20 anos e uma enorme revolução no mercado de mídia.

A Máquina do Esporte conversou com diversos executivos envolvidos nas negociações da Liberty Media com as duas emissoras para tentar mostrar os motivos que levaram a emissora paulista a superar a concorrente e, após 40 anos, ter de volta a Fórmula em sua programação.

A Band passou a ser uma opção para a Liberty Media apenas no começo deste ano, depois que um acordo com a Globo começou a ficar cada vez mais distante. A emissora paulista, até então, observava a F-1 como um objeto de desejo, mas sem avançar muito o terreno por não saber se haveria viabilidade econômica para fazer o projeto decolar. A contratação de Reginaldo Leme, icônico comentarista da Globo, para a transmissão da Stock Car, ainda em 2020, fez aumentar a esperança de que seria possível encontrar parceiros comerciais que bancassem o projeto.

A parte financeira era o primeiro entrave da negociação do Grupo Globo com a Liberty Media. A emissora não estava disposta a bancar US$ 25 milhões por temporada, como queria a gestora comercial da F-1. A proposta de reduzir o valor fixo e apostar numa busca de receita variável era vista com bons olhos pelos dois lados, mas aí entrava o segundo problema para a negociação.

Já desde o ano passado, a Globo havia suspendido a transmissão, aos sábados, dos treinos classificatórios para a F-1. A emissora deixava para o Sportv e para o site GE a exibição dos qualificatórios. Isso fez com que o alcance da categoria no Brasil caísse, reduzindo o retorno para os patrocinadores da F-1.

Para a temporada de 2021, a emissora não queria ter a obrigatoriedade em contrato de mostrar todos os GPs ao vivo dentro da TV aberta. A ideia era focar nas provas que garantiam maior audiência para a TV Globo e promover mais o Sportv com transmissões ao vivo nas manhãs de domingo, quando geralmente o canal perde a audiência para eventos de futebol europeu dos concorrentes.

O risco de não ter a temporada exibida plenamente na TV aberta desagradou a Liberty, que passou a endurecer as negociações.

Somou-se a esse cenário o terceiro fator de desentendimento: a plataforma de streaming F1 TV Pro.

Em setembro, quando a Liberty comunicou o fim das negociações com a Globo e um acerto com a Rio Motorsports para revender os direitos de transmissão da F-1 no Brasil, a empresa também confirmou que lançaria, em 2021, a F1 TV Pro no país. Desde então, éramos um dos poucos países no mundo que não tinham a plataforma de OTT. O motivo era a exclusividade da Globo em todas as mídias.

A F1 TV Pro faz parte da estratégia de crescimento digital da categoria traçada pela Liberty quando comprou os direitos comerciais da F-1. Sendo o Brasil o país com maior audiência da categoria, a empresa não quer mais perder tempo para oferecer seu serviço de assinatura para os brasileiros.

A Globo, a princípio, era contra a OTT. Nas idas e vindas da negociação, a emissora chegou a abrir mão da exclusividade em todas as mídias e permitir o lançamento da F1 TV Pro, seguindo o modelo que ela tem com a NBA, que também vende o seu “League Pass” por meio de um acordo com a Vivo. Mas essa disputa pelo streaming também pesou contra um acerto com a emissora.

Com as negociações emperradas, a Liberty passou a conversar com a Band, que aceitou as condições do acordo: transmissão plena das corridas e dos treinos na TV aberta, além de cobertura em todas as mídias e a liberdade para o F1 TV Pro “decolar”. A Band já é parceira da F-1 nas rádios, o que deu mais força para um acerto.

A remuneração também foi ajustada. A emissora garantirá um valor mínimo para a Liberty e, depois, dividirá a receita obtida com publicidade. Foi o jeito encontrado para fazer o negócio se sustentar por pelo menos duas temporadas, prazo estipulado para a duração desse primeiro acordo.