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Análise: Apostas podem destravar o mercado?

Após décadas de "verdades incontestáveis", Brasil começa a quebrar tabus

Erich Beting - São Paulo (SP) Publicado em 26/02/2020, às 07h41 - Atualizado às 10h41

Imagem Análise: Apostas podem destravar o mercado?

Não deixa de ser um alento ver que, finalmente, Grêmio e Inter conseguiram se livrar da amarra de ter o mesmo patrocinador de camisa. O argumento preguiçoso de que uma marca enfrenta enorme rejeição quando assina com só um dos dois clubes que dominam o mercado do Rio Grande do Sul finalmente pode começar a ser colocado por terra nesse negócio com a Betsul.

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Durante décadas o mercado esportivo brasileiro se acostumou a ter algumas verdades inquestionáveis. A rejeição a patrocinadores é uma dessas bobagens que servem de muleta para que marcas justifiquem a negativa de patrocinar uma equipe. Em vez de simplesmente dizerem que não há interesse em fazer o patrocínio, os executivos da empresa preferem usar desculpas mirabolantes para não realizar o investimento.

Por 20 anos, Grêmio e Inter sofrem com isso. Logicamente, o problema não está só do lado de quem investe. Os times pouco fazem para mostrar que o patrocínio pode, muito bem, dar retorno. Mesmo se estiver só "de um lado" do Rio Grande.

Curiosamente, parece que a entrada das casas de apostas no mercado começa a dar um novo impulso para que o futebol comece a trabalhar melhor o patrocínio e, dessa forma, consiga levar junto com ele toda a cadeia produtiva do esporte.

Com necessidade de atrelar a torcida ao consumo dentro de seus sites, as empresas do segmento de apostas têm usado o esporte como ferramenta para ativação e geração de interesse do torcedor em consumir. Isso leva os clubes a precisarem trabalhar com sua base de fãs. E, mais do que isso, ensina-os a serem também vendedores.

Com o avanço das apostas no patrocínio, outra verdade inquestionável começa a cair. A de que a exposição de marca é o maior ativo que o clube pode entregar.

Logo menos, o segmento que começa a entrar no Brasil deve ter de sair da camisa dos times. É um movimento natural, que já começa a ser novamente debatido no mercado da Inglaterra, onde as apostas têm avançado mais do que o saudavelmente recomendado dentro da cabeça dos consumidores. E, quando isso acontecer, os clubes já terão demonstrado que sabem ativar bem seu torcedor, esse sim o maior ativo que ele consegue oferecer para qualquer marca que queira patrociná-lo.

Antes mesmo de entrar para valer no mercado, as apostas começam a mexer com algumas situações antes imutáveis do patrocínio esportivo brasileiro. É um alento. Até porque não parece que será um investimento passageiro, como costuma acontecer.