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Análise: Árbitro precisa ser aproximado do fã

Mercado americano deixa relação mais transparente e faz da arbitragem uma propriedade comercial forte

Duda Lopes - Boston (EUA) Publicado em 22/01/2019, às 07h23 - Atualizado às 09h23

Imagem Análise: Árbitro precisa ser aproximado do fã

No futebol de forma geral, mas principalmente no Brasil, o árbitro é uma figura intocável. Nos últimos anos, a proteção sobre os profissionais se tornou ainda maior, e nem mesmo uma entrevista pós-jogo é possível. Ignora-se, portanto, que o silêncio só aumenta a apreensão dos torcedores.

O curioso é que, ainda assim, o futebol brasileiro tenta fazer do árbitro uma propriedade comercial. Nos campeonatos estaduais, pode-se observar que muitos apitam com uniformes que lembram os usados pelos times, cheios de marcas. Estampadas na figura que costuma ser a mais odiada em campo, essa deve ser uma das piores associações de marcas do esporte nacional, mesmo com a exposição razoável.

Tornar os árbitros figuras mais humanas e, principalmente, mais transparentes é um jogo sem perdedores para o futebol. O esporte ganha com credibilidade frente ao público, e os profissionais podem ser pensados de fato como uma propriedade comercial sem riscos para as marcas.

O maior exemplo de como isso é absolutamente possível está nos Estados Unidos. Na NBA, por exemplo, foi criada uma conta de Twitter para os torcedores interagirem com os árbitros. A iniciativa estreou na temporada passada e será mais uma vez utilizada. A "NBA Referees" já conta com quase 100 mil seguidores.

Na NFL, os árbitros usam microfones para passar recados à mídia e ao público presente no estádio. O artefato, por sinal, costuma ter um patrocínio específico. Atualmente, a Bose mantém a propriedade, com o fone, microfone e som oficial da liga de futebol americano.

Microfone de árbitro é um mistério no futebol. Existe alguma explicação razoável para o sinal não ser público para a mídia e, esporadicamente, para o estádio? Campo de futebol não parece o melhor local para manter segredos. E, com as decisões públicas, seria muito mais fácil entender o comportamento da arbitragem. Em 2018, por exemplo, a medida acabaria com a polêmica da interferência externa na final do Paulistão.

Há anos, a arbitragem tem representado uma das maiores ameaças de imagem do futebol brasileiro, e nada é feito em relação a isso. Diferentemente da violência nas arquibancadas, que é um problema bastante complexo, a credibilidade dos árbitros parece ser algo simples de ser resgatado. Passa, claro, por uma maior profissionalização da categoria, mas também por um processo mais transparente e medidas fáceis de serem tomadas. Seria algo que faria com que todo o mercado ficasse bastante grato.