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Análise: Barcelona precisa saber que '8 a 2' não foi '7 a 1'

Avaliar goleada é trabalho de autocrítica do gestor; às vezes, ela simplesmente faz parte do futebol

Duda Lopes - São Paulo (SP) Publicado em 18/08/2020, às 08h00 - Atualizado às 11h00

Imagem Análise: Barcelona precisa saber que '8 a 2' não foi '7 a 1'

Na última semana, o Barcelona levou um baile em Lisboa. O Bayern de Munique passeou no Estádio da Luz, fez 8 gols e deixou um dos times mais vencedores deste século sem entender nada. A reação dos catalães foi enérgica: técnico demitido, muros pichados e a promessa de profunda reformulação no elenco do time. Mas será para tanto?

Um dos grandes desafios do gestor do esporte é saber que nem toda goleada é aquele 7 a 1. Às vezes, de fato, está tudo errado. Outras vezes, ela simplesmente faz parte. Essa análise exige uma autocrítica apurada, algo que já não é simples normalmente e piora sensivelmente quando envolve a paixão do futebol.

Quando o Brasil levou os 7 a 1 da Alemanha, a partida revelou as enormes diferenças no modo como o futebol é gerido nos dois países. O abismo separou a administração das ligas e dos clubes, o desenvolvimento de novos talentos, o prazo de trabalho nas seleções e o preparo dos treinadores.

Ou seja, estava tudo errado no Brasil. Se o país fosse mais sério, deveria ter olhado para a goleada e visto uma oportunidade de profundas mudanças. Mas não foi o caso do Barcelona.

O time catalão, certamente, teve problemas esportivos nesta temporada. Por outro lado, o time chegou à liderança nas finanças. Pela primeira vez, segundo a consultoria Deloitte, a equipe foi a mais rica do mundo no último ano. A colocação é simbólica de um trabalho de quase duas décadas, que teve início em 2003, com a presidência de Joan Laporta e seu diretor Ferran Soriano. Na época, a equipe não estava entre as dez mais ricas do mundo, e a gestão fez todo o planejamento de marca e de esporte para que a agremiação chegasse aos líderes financeiros.

A destruição desse legado pode ser rápida. A pressa por troca de jogadores, as contratações milionárias e a má utilização de atletas da base, por exemplo, podem acarretar um declínio esportivo e, consequentemente, financeiro. Parece claro que o momento é para ajustes pontuais, apenas.

Ao longo deste século, o Barcelona virou o símbolo do futebol vitorioso e, mais do que isso, bem jogado. Para quem trabalha com a indústria do esporte, é também o exemplo de boa gestão de marca esportiva em longo prazo. Tudo isso afasta, e muito, o 8 a 2 do nosso tão sofrido 7 a 1.