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Análise: BMG tenta dar novo nome a empréstimo

Banco quer fazer passar por uma ação de patrocínio algo que não é nada mais do que empréstimo a juros bem altos

Erich Beting - São Paulo (SP) Publicado em 05/02/2020, às 07h41 - Atualizado às 10h41

Imagem Análise: BMG tenta dar novo nome a empréstimo

O uso da expressão "Não é só patrocínio" que o BMG tem adotado ao longo do primeiro ano de parceria com os clubes tem uma explicação bastante lógica. Não, definitivamente não é só patrocínio. É também empréstimo de dinheiro, com juros, como qualquer banco faria ao conceder dinheiro.

A tática rasa de comunicação é mais uma das artimanhas do banco na sua relação de décadas com o futebol. Desde que o fundador do banco, Ricardo Guimarães, fanático torcedor do Atlético-MG, decidiu assumir carreira política no clube, o futebol tem sido usado pelo BMG como plataforma de geração de receitas a partir da maior falha que existe dentro das entidades esportivas: gestão de fluxo de caixa.

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Na prática, ao emprestar dinheiro a juros para os clubes que patrocina, o banco BMG consegue fazer um negócio excelente. Só para ele. A força de ser o patrocinador do clube concede ao BMG o poder de ser também o principal credor dos times. Isso gera um efeito imediato: o patrocínio, no final das contas, não custa nada para ele.

Dentre as coisas que teimam em só acontecer no futebol brasileiro, essa é uma das maiores bizarrices. O patrocinador empenha toda a verba que usaria com o patrocínio em empréstimo para o clube endividado. Na prática, seria melhor para Atlético, Corinthians e Vasco irem atrás de um patrocinador máster e bater na porta do BMG para pedir um empréstimo. O fluxo de caixa seria mais equilibrado.

Ao promover essa estratégia em seus patrocínios, o BMG ilude os gestores despreparados do clube. Assim como fez nos anos 2000, o banco dá dinheiro para que seja investido em jogadores com potencial de revenda. E faz fortuna nessa operação.

Se, há um ano, a entrada das fintechs no futebol era vista como um caminho para uma melhor profissionalização na gestão do patrocínio, agora a história é outra.

O BMG tenta fazer passar por patrocínio aquilo que ele faz melhor, que é emprestar dinheiro com taxas de juros exorbitantes. Os clubes, precisando dar uma resposta interna à "falta do patrocínio máster" e sem caixa para reforçar o time ou pagar os atrasados, aceitam o jogo e vendem também a ideia de que "não é só patrocínio".

No final das contas, o futebol brasileiro segue correndo atrás do próprio rabo. Se, antes, a dependência era da verba superdimensionada da Caixa, agora o salvador da pátria é outro. Resta saber até quando. Ou melhor. É só esperar a regulamentação das apostas no país para ver como se dará a corrida das marcas do segmento nas camisas por aí.