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Análise: Bragantino pode mudar rotina no país

O futebol se acostumou a exigir do torcedor um amor incondicional, mas é preciso ter motivos para consumir

Erich Beting - São Paulo (SP) Publicado em 07/05/2019, às 07h38 - Atualizado às 10h38

Imagem Análise: Bragantino pode mudar rotina no país

O encontro da Red Bull com o torcedor finalmente aconteceu. Após uma década de início do Red Bull Brasil, a marca de energético que se tornou mundialmente famosa pelo estilo arrojado de investir em esporte e falar com o público finalmente tem um clube com apelo de torcida para "brincar". 

Na noite desta segunda-feira (6), quase 9 mil pessoas foram assistir a Bragantino x Sport, pela Série B do Campeonato Brasileiro. Foi a primeira vez em quase 30 anos que o Braga conseguiu lotar seu estádio para um jogo que não tenha sido contra um dos quatro grandes times de São Paulo. Teve até mesmo quem ficou sem ingresso, fora do campo.

O motivo para tanta euforia é a chegada da Red Bull ao clube. A cidade abraçou a marca, vendo na chegada do investidor privado a tábua de salvação para ter um clube para chamar de seu dentro da própria casa. O sucesso do primeiro jogo no estádio Nabi Abi Chedid foi o indício de que muita coisa pode mudar daqui para frente. 

Desejo para consumir futebol por parte do torcedor existe. O que falta, muitas vezes, é o interesse do futebol em fazer com que esse torcedor queira consumir.

Acostumamo-nos, ao longo dos anos, a ter uma relação de amor e ódio entre clube e torcida. Os dirigentes, muitas vezes, creem que a relação entre ambos é baseada no amor incondicional, que deve ser traduzido em geração de receita ao clube, independentemente do tratamento que ele dispensa para o torcedor. Um ótimo exemplo disso é o discurso para a venda de produtos como sócio-torcedor. Quase sempre o clube diz para a torcida ajudar o time. O que é oferecido em troca nessa relação?

Durante uma década, a Red Bull tinha todo o potencial para mudar esse conceito dentro do futebol. Mas, com a necessidade de investir na formação de um time competitivo, a marca deixou de lado o marketing com o público para primeiro ter um produto a ser ofertado, que era o clube forte. Agora, com a compra do Bragantino, a empresa conseguiu ter o produto que faltava. Em menos de um mês, provocou uma revolução na relação de uma cidade com o futebol apenas pelo fato de dar à torcida esperança em ver o time local voltar a ter protagonismo nacional. 

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Com um mínimo de esforço, a Red Bull pode mostrar que é preciso rever a forma como trabalhamos a relação com quem é fundamental na indústria: o consumidor. Ainda é cedo para dizer que o projeto vai dar certo, mas a primeira impressão é de que, dando atenção à torcida, o retorno é inevitável. E isso vale para qualquer time.