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Análise: Brasil perde espaço com velhos boleiros

Clubes precisam exigir maior profissionalismo de jovens jogadores para valorizá-los no mercado europeu

Duda Lopes - São Paulo (SP) Publicado em 28/11/2019, às 08h25 - Atualizado às 11h25

Imagem Análise: Brasil perde espaço com velhos boleiros

A venda de jogadores é, há muitos anos, uma fonte de renda fundamental para os clubes brasileiros, mas pouco se faz para que eles sejam valorizados no exterior. Atualmente, ainda que jovens da bola no Brasil sejam vendidos por milhões de euros, não faltam exemplos do quanto esse segmento tem sido visto com cautela pelos europeus, algo que ficou em evidência nesta semana.

Na última terça-feira (26), Neymar entrou em campo pela Liga dos Campeões após quase um ano. Foi reserva do Paris Saint-Germain e ouviu vaias dos torcedores rivais, do Real Madrid, que um dia sonhou com o atleta brasileiro. Com 27 anos, a revelação do Santos girou centenas de milhões de euros nos últimos anos, mas, ainda jovem, é o rosto da decadência. Sua carreira tem sido uma maratona de erros.

Com 23 anos, Gabriel Barbosa, o Gabigol, do Flamengo, está no auge. Mas no Brasil. Nesta quarta-feira (27), o diretor executivo da Inter de Milão, que detém os direitos do atleta, declarou que não tem interesse em seu retorno. A passagem do jogador pela Itália foi uma sequência de comportamentos questionáveis, marcada pelo momento em que o brasileiro se retirou do banco de reservas durante uma partida.

São jogadores de claro talento, mas que, com atitudes pouco profissionais, geram repúdio do mercado europeu. E não são os únicos. Nos últimos anos, nomes como Adriano e Ronaldinho saíram do Velho Continente pela porta dos fundos.

Assim, aos poucos, o jogador brasileiro perde mercado. O problema é que a venda de atletas ainda é uma fonte importante. Basta lembrar que, nos dois últimos anos, o Flamengo embolsou cerca de R$ 250 milhões com os jovens atletas. Seria impossível pensar no time supercampeão de hoje sem essa poderosa fonte de negócio.

Faz 12 anos que o Brasil não tem um melhor jogador do mundo. Curiosamente, o último, Kaká, foi um atleta reconhecido pelo bom comportamento. O alto grau de profissionalismo é algo que o futebol de elite exige hoje, mais do que há poucos anos. O exemplo máximo é Cristiano Ronaldo, que nunca se acomodou com seu inegável talento. O português sempre soube ser um atleta de excelência em toda a carreira.

Os clubes brasileiros precisam exigir mais de seus funcionários. Quando Neymar surgiu, suas estripulias eram sempre tratadas de forma amena, como se fossem apenas um reflexo do enorme talento. Se o futebol nacional tiver interesse em faturar mais com seus atletas, precisa urgentemente investir mais na formação dos mais jovens.