Máquina do Esporte
Facebook Máquina do EsporteTwitter Máquina do EsporteYoutube Máquina do EsporteLinkedin Máquina do Esporte

Análise: Bundesliga mostra desdém com racismo

Paralisação da partida do Bayern de Munique mostrou que ligas têm outras prioridades na hora de punir clubes

Duda Lopes - São Paulo (SP) Publicado em 02/03/2020, às 07h21 - Atualizado às 10h21

Imagem Análise: Bundesliga mostra desdém com racismo

O futebol alemão, assim como as principais ligas de futebol pelo mundo, tem se mostrado muito fraco nas ações de combate ao racismo. Os casos são crescentes e há pouco controle sobre isso. No último final de semana, no entanto, ficou claro que o rigor pode ser outro quando os ofendidos são aqueles que regem o esporte nos bastidores, na maioria homens brancos.

O caso aconteceu na partida entre Bayern de Munique e Hoffenheim. Torcedores do time de Munique estenderam uma faixa contra o dono do time rival, o cofundador da SAP, Dietmar Hopp. A manifestação foi pela mudança de regra da federação alemã que permitiu que o executivo assumisse o clube; no país, a maioria das agremiações não pode ter mais do que 49% das ações nas mãos da iniciativa privada.

As palavras foram duras: "Tudo como o habitual: a federação não mantém sua palavra, e Hopp continua um filho da puta". O que não foi habitual foi a reação da arbitragem, que cumpriu as instruções da Bundesliga para esse tipo de manifestação dos torcedores: interrupção imediata da partida e, caso não fossem tiradas as faixas, a retirada das equipes de campo.

O caso não foi isolado: torcedores do Borussia Dortmund também se manifestaram na partida diante do Freiburg, e a partida também foi interrompida. O mesmo aconteceu com torcedores do Union Berlin no duelo contra o Wolfsburg. Tudo muito diferente do que houve como consequência em casos recentes de racismo na Alemanha.

Há duas semanas, por exemplo, o Schalke foi multado em € 50 mil após seus torcedores terem entoado cantos racistas contra o jogador Torunarigha, do Hertha Berlin. O curioso é que a própria federação alemã admitiu, ao aplicar a punição, que o atleta havia sido ofendido durante 85 minutos no duelo entre as equipes. Ou seja, houve uma multa leve, mas ninguém impôs a paralisação do evento.

A Alemanha não é a única que trata casos de racismo com desdém. Nos últimos meses, foram vistas atitudes parecidas de Portugal à Rússia na Europa. Na América Latina, também é comum ver torcedores que agem dessa maneira. Poucas vezes, no entanto, ficou tão claro o quão coniventes são os dirigentes sobre a questão, como se o massacre moral a um atleta fosse algo aceitável dentro do universo esportivo.

LEIA MAIS: Análise: Sem pulso, Europa promove o racismo

Os torcedores do Bayern aprenderam no fim de semana o limite das ofensas. Se elas forem dirigidas à elite da administração do esporte, a repressão será imediata. Se atingir alguma minoria, será realizada apenas uma punição simbólica. O racismo pode, sim, ser abolido dos gramados, mas parece que não há tanta força de vontade para isso.