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Análise: CBV e STJD estão a serviço de quem?

Duda Lopes questiona dois pesos e duas medidas de entidade e órgão

Duda Lopes - São Paulo (SP) Publicado em 29/09/2020, às 09h05 - Atualizado às 12h05

Imagem Análise: CBV e STJD estão a serviço de quem?

Totalmente bizarro e autoritário o cerco realizado pela Confederação Brasileira de Vôlei e, agora, pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva à atleta Carol Solberg. Após receber medalha no Circuito Nacional de vôlei de praia, a atleta gritou "Fora, Bolsonaro" em entrevista ao vivo para o Sportv. E, por isso, tem sido atacada por instituições que deveriam protegê-la de abusos e garantir seu direito de livre manifestação.

A CBV já havia lançado nota de repúdio à jogadora, com o argumento que o "ato praticado pela atleta Carol Solberg em nada condiz com a atitude ética que os atletas devem sempre zelar". Segundo a entidade, os eventos de vôlei não devem ser usados para qualquer manifestação de cunho político.

Carol Solberg, na verdade, teve azar. Isso porque nem sempre a CBV tem o mesmo olhar sobre as manifestações políticas. Wallace e Maurício Souza, por exemplo, usaram o Mundial de 2018 para fazer o número '17' com os dedos em apoio a Bolsonaro.

Carol Solberg no instante em que se manifesta contra o presidente da República - Foto: Reprodução

Na ocasião, a confederação não achou tão inconveniente assim o uso de um evento para expressão a um candidato. Aliás, a entidade usou a foto com os dois atletas para alimentar o Instagram. Nesse caso, a manifestação virou conteúdo.

O STJD vai pelo mesmo caminho. Na segunda-feira (28), Carol Solberg foi denunciada ao órgão por "assumir qualquer conduta contrária à disciplina ou à ética desportiva não tipificada pelas demais regras deste Código à atitude antidesportiva".

Sim, o artigo é vago. E fica ainda mais vazio ao lembrar que, nos últimos anos, diversos atletas fizeram manifestação a favor do presidente da república sem nenhum tipo de represália.

No futebol, por exemplo, Felipe Melo já dedicou vitória a Bolsonaro em entrevista de campo. Diego Souza foi além e celebrou gol com a infame arminha de mão, símbolo usado corriqueiramente pelo líder no Planalto.

Cercear manifestações políticas já é uma prática um tanto autoritária do esporte, que historicamente foi usado como ferramenta de mudanças sociais, no Brasil e no mundo. O passo dado mais recentemente, que impede apenas a voz da oposição ao governo vigente, flerta com práticas fascistas. É tudo o que a imagem do esporte não precisa agora: deixar de ser uma escada para um mundo mais plural para ser ferramenta de opressão ao diferente.