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Análise: Conteúdo é o que dá poder ao esporte

Para Erich Beting, YouTube trouxe revolução que TV por assinatura propunha, mas num modelo de negócios mais rentável

Erich Beting - São Paulo (SP) Publicado em 21/11/2018, às 07h33 - Atualizado às 09h33

Imagem Análise: Conteúdo é o que dá poder ao esporte

Responda rápido: qual é o maior diferencial que existe no esporte dentro do universo da mídia? Sem dúvida nenhuma, o poder de geração de conteúdo exclusivo e de altíssimo engajamento com os fãs é hoje um diamante bruto que começa a ser lapidado pelas equipes esportivas em todo o mundo.

O levantamento feito pela Soccer Media com o alcance dos principais canais de YouTube do futebol mostra exatamente quão poderoso pode ser o conteúdo para a estratégia comercial das entidades esportivas. Se, há duas décadas, os clubes falavam em ter sucesso com seus canais próprios de televisão, a realidade veio num projeto muito mais rentável de produção de conteúdo audiovisual para o YouTube.

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Esse talvez seja o pulo do gato que os clubes perceberam mundialmente. A plataforma de vídeos do Google é hoje o meio em que as pessoas mais assistem a conteúdo no mundo. Ele trouxe, para a tela do aparelho celular, a revolução que, há 30 anos, significava a TV por assinatura. Qualquer tipo de conteúdo, da forma como você quiser. E, claro, com um diferencial ainda maior. Só cinco segundos para a mala da publicidade.

É aí que entra o diferencial do esporte nessa história. Quando se trata de um esporte, um torneio, uma liga, um evento ou um clube, é possível gerar conteúdo de alto interesse para o consumidor que tenha vínculo comercial com as marcas. Os vídeos são capazes de gerar alto engajamento com baixíssima rejeição à propaganda.

Essa relação de mídia do esporte com o patrocinador é o que começa a ser visto como diferencial para as marcas. O Flamengo, já há dois anos, tem tido ótimo sucesso comercial apostando nisso. O Santos, recentemente, criou com a Orthopride uma ação que mesclava um conteúdo exclusivo do clube com ação comercial da marca.

Se, antes, a mídia explorava com sucesso a paixão do torcedor para ter por perto o patrocinador, agora esse vínculo foi completamente renovado com o clube, que produz o conteúdo que só ele é capaz de conseguir para cativar a atenção do fã.

Não por acaso, desde que os clubes brasileiros perceberam isso, começaram a crescer com força no YouTube. O próximo salto é comercial. Quando as marcas entenderem que é possível atingir um público específico a partir do conteúdo, começarão a usar ainda mais as plataformas dos clubes. Daqui a pouco, o investimento em mídia dentro dos clubes será tão significativo quanto o que é gasto em patrocínio. E o esporte terá um novo tipo de verba para acumular riquezas.