Máquina do Esporte
Facebook Máquina do EsporteTwitter Máquina do EsporteYoutube Máquina do EsporteLinkedin Máquina do Esporte

Análise: Erro ou hipocrisia movem doping de Anderson Silva

Adalberto Leister Filho mostra que UFC rasgou as regras do antidoping ou os valores do esporte em caso do lutador

Adalberto Leister Filho - São Paulo (SP) Publicado em 05/02/2015, às 08h41 - Atualizado às 10h41

Imagem Análise: Erro ou hipocrisia movem doping de Anderson Silva

Alguma coisa não faz sentido na história do doping do brasileiro Anderson Silva. E não é apenas o teste positivo em si. Houve erro de procedimento do UFC. Ou hipocrisia.

É difícil acreditar que coletas de sangue ou urina, realizadas em 9 e 31 de janeiro, tenham tido o resultado divulgado no mesmo dia. O primeiro teste demorou quase um mês para flagrar um doping banal, como é o de esteroides anabólicos. O último, apenas 3.

Se soube realmente só na terça-feira, o UFC rasgou o livro de regras da Agência Mundial Antidoping em pedacinhos. A série de irregularidades beira o amadorismo:

- Não comunicou o resultado com antecedência ao atleta.

- Não deu prazo para ele apresentar suas alegações.

- Não esperou Anderson Silva pedir a contraprova.

- Não aguardou que o exame da amostra B confirmasse o doping.

Pelo procedimento padrão, só depois disso é que a entidade poderia anunciar oficialmente o caso e suspender o atleta preventivamente.

Como acreditar então que “o UFC tem uma rígida e consistente política contra o uso de qualquer droga ilegal, de alteração de desempenho ou agentes mascarantes, por parte de seus atletas”?

É mais razoável supor que o UFC já soubesse do doping de Anderson Silva antes do esperado retorno ao octógono. Mas como cancelar a luta mais aguardada do UFC 183? Como dar as costas a todas as ações de marketing e negócios envolvidos no evento? E os milhões negociados por pay-per-view? E as ativações dos patrocinadores? E o comércio de produtos oficiais com a imagem do Spider? E o lucro das casas de apostas?

Longe de fazer o papel de virgem ultrajada e de efetivamente combater fraudes esportivas, o UFC parece ter compactuado com a farsa. Fez vistas grossas ao problema. Colocou no tablado alguém que não poderia estar lá.

Antes de ser negócio, o esporte já divulgava valores, como obediência às regras, respeito ao adversário e busca pela excelência. Hoje, esses valores são essenciais ao negócio do esporte. Mais do que lucros passageiros. Lições ainda não aprendidas pelo UFC.