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Análise: Esporte Olímpico precisa aprender a se vender

Erich Beting pede fim de acomodação de atletas e dirigentes após 30 anos

Erich Beting - São Paulo (SP) Publicado em 07/01/2020, às 07h30 - Atualizado às 10h30

Imagem Análise: Esporte Olímpico precisa aprender a se vender

A criação do "Melhores do Ano" da Máquina lá em 2005, no nosso primeiro ano de vida, tinha como meta ser uma retrospectiva do ano que passou, mas logo virou o embrião de criar um prêmio que fosse representativo para nossa indústria. Mas, desde sempre, uma característica não muda.

A escolha dos finalistas é sempre um momento de muito debate entre nossa equipe e que serve de reflexão sobre os rumos que nossa indústria tem tomado. Em 2019, a dificuldade que tivemos para fechar os cinco indicados em cada categoria nos mostrou uma dura realidade, que quando projeta o cenário para 2020 torna ainda mais cruel esse choque: o esporte olímpico brasileiro precisa aprender a se vender!!!

O fechamento da torneira do investimento estatal no esporte, bandeira que acompanhou os "olímpicos" desde a redemocratização no país, nos anos 90, trouxe um enorme problema para entidades e atletas. É preciso agora justificar o motivo pelo qual vale a pena colocar dinheiro num esporte que não tem o mesmo apelo do futebol, mas que possui seu valor.

Nesta semana, a Folha de São Paulo fez uma matéria mostrando que a falta de investimento no esporte olímpico atinge também o atleta de ponta. Os comentários que se seguiram à reportagem mais uma vez foram de lamentação sobre a falta de visão do mercado, reforçando o coitadismo do atleta olímpico, como se ele não tivesse sua parcela de culpa por isso.

Não é fácil vender. Aprendi isso quando troquei a posição confortável de jornalista remunerado (mal, como todos) para a de dono de negócio, há 15 anos. Mas temos de encontrar nosso diferencial em relação à concorrência para fechar um negócio.

Há 30 anos que o esporte olímpico brasileiro está deitado no berço esplêndido do dinheiro fácil. Sim, a cada ano que passava, era esperar a renovação com uma estatal, a verba que pingaria da loteria ou o acordo polpudo com os militares para representar o país em competições esdrúxulas do ponto de vista técnico. Agora, resta apenas uma parte desse dinheiro disponível. Como ganhar o restante? Com muito suor.

A presença de apenas um representante de esportes olímpicos nacionais entre os "executivos do ano" liga esse sinal de alerta. Em ano de Jogos Olímpicos, não temos conseguido vender o peixe dos olímpicos. Ao mesmo tempo, NBA, WSL, NFL, UFC e outras ligas de fora crescem sua presença no país. Sinal de que dinheiro no mercado existe. Só precisamos saber como fazer uma boa venda para conseguir essa verba.