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Análise: Esporte tem desafio maior que terrorismo

Pandemia força esporte a parar por prazo indeterminado, causando um prejuízo maior que o de um atentado

Erich Beting - São Paulo (SP) Publicado em 12/03/2020, às 08h09 - Atualizado às 11h09

Imagem Análise: Esporte tem desafio maior que terrorismo

Foi a partir 1972, quando um atentado de palestinos contra a delegação de Israel durante os Jogos Olímpicos de Munique colocou o esporte em alerta, que o terrorismo sempre foi visto como a maior ameaça a um evento. A explosão de uma bomba durante os Jogos de Atlanta, em 1996, e o posterior ataque aos Estados Unidos em 2001 colocaram o terrorismo de vez como uma sombra no esporte.

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Mas é a pandemia do coronavírus que tem mostrado para o mundo esportivo, agora, qual é o maior risco que existe para sua realização. O terrorismo é um evento minimamente administrável pelos órgãos de segurança. O controle de uma pandemia, está claro, exige que o esporte seja colocado em quarentena, provocando uma situação de cancelamento de eventos que só havia sido vista nos períodos das Guerras Mundiais.

A decisão da NBA de parar a temporada sem dar qualquer prazo para a retomada dos jogos era o motivo que faltava para que as demais modalidades venham a tomar a mesma corajosa e correta atitude. Não dá para fazer a bola rolar correndo o risco de espalhar uma doença para todo o mundo. O melhor a fazer é sentar em casa e esperar.

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Só que essa atitude gera um caos nunca antes previsto. Fecham-se as portas de estádios e ginásios, interrompem-se os treinamentos, proíbem-se as entradas de torcedores em quaisquer eventos esportivos.

Por mais mal que o terrorismo possa causar a um evento, seu impacto é de curta duração. Ele causa o dano e se encerra. Agora, a situação é inédita no esporte profissionalizado que vivemos hoje. Não existe prazo para a retomada das atividades. Assim, o evento esportivo não consegue gerar receita. O efeito cascata, no médio prazo, pode vir a ser bem pior que o do terrorismo.

A boa notícia, no caso, é de que a China começa a voltar à normalidade cerca de dois meses depois de o coronavírus começar a se espalhar pelo país. A decisão da liga de basquete local de retomar as atividades a partir de 2 de abril mostra que a quarentena afeta nossa rotina durante um certo período, mas depois tudo se reorganiza.

O principal ponto de interrogação para o mercado esportivo, porém, ainda são os Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Previstos para agosto e setembro, os eventos estabeleceram um prazo limite para a tomada de decisão para o mês de maio. É bem provável que já tenhamos superado a primeira onda provocada pela pandemia e, dessa forma, poderemos manter o que estava previamente acordado. Mas essa indefinição mostra que existe um perigo muito mais incontrolável do que o terrorismo para o esporte.