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Análise: Estaduais podem ser embrião para nova liga

Para Erich Beting, futebol vai se fortalecer quando focar negócio para no máximo 60 clubes

Erich Beting - São Paulo (SP) Publicado em 27/12/2019, às 07h26 - Atualizado às 10h26

Imagem Análise: Estaduais podem ser embrião para nova liga

Sim, talvez sejam os bons ventos que sempre sopram nesta época do ano, mas a decisão da Globo de dar prioridade ao que realmente importa no Paulistão não deixa de ser uma boa notícia no médio prazo.

A racionalização do calendário dos Estaduais, por força do poder econômico da emissora, pode vir a ser o embrião que falta para finalmente termos a criação de uma liga no país. Não uma entidade que represente interesses comerciais de um grupo de clubes, mas uma liga que possa, de fato, defender a organização de uma competição esportiva.

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Hoje, do jeito que está, o Estadual não representa a sobrevida do clube pequeno do interior, ele distancia ainda mais os clubes paulistas do restante do país. Só para se ter uma ideia, a cota que o Água Santa recebe para jogar o Paulistão equivale à soma do que paga o Campeonato Pernambucano. De todo o campeonato!!!

O Paulistão é uma ilha de prosperidade em meio ao caos que reina nos Estaduais pelo país adentro. O Flamengo jogar o Cariocão com o time sub-20 é o melhor exemplo da hora. Sem dinheiro da TV, o apelo que havia para colocar o time em campo no Estadual simplesmente acaba.

Para ter um futebol nacional forte, necessariamente temos de fazer o Brasileirão ser o grande campeonato do continente. E, para isso acontecer, precisamos reduzir o tamanho dos Estaduais para privilegiar 40 a 60 clubes que disputam as três principais divisões nacionais. Isso é garantir futebol de alto nível para 1,5 mil atletas. Hoje, temos no máximo cinco clubes em situação estável e confortável para pagar os jogadores em dia no futebol nacional. Essa situação só vai mudar quando um torneio gerar receita suficiente para o bom funcionamento do clube ao longo de toda uma temporada, e não por três meses.

A partir do instante em que a Globo obriga os Estaduais a se reduzirem, ela vai abrindo o caminho para o Brasileirão se fortalecer. Agora, é preciso que alguém assuma o controle para criar uma competição de fato atrativa comercialmente. Hoje, o Brasileirão é o campeonato que temos, mas está longe de ser aquele que queremos.

Principal liga esportiva do mundo, a NFL mostra que o caminho é reduzir o número de jogos para dar mais qualidade ao evento e, assim, aumentar a receita. Temos a mania de nos atermos à memória afetiva para justificar opiniões que parecem embasadas tecnicamente. É isso, mais o componente político, que ainda seguram a relevância dos Estaduais dentro do calendário. O embrião da liga cresce a cada dia...