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Análise: Experiência é ideia que falta no Brasil

Por que não nos mobilizamos para criar experiências que conectem o fã com a paixão que ele tem pelo esporte?

Erich Beting - São Paulo (SP) Publicado em 28/02/2020, às 08h24 - Atualizado às 11h24

Imagem Análise: Experiência é ideia que falta no Brasil

Depois do sucesso da NBA House, a Champions League decidiu ir atrás de um projeto para levar um pouco da experiência do torneio europeu para o mercado brasileiro. Por que o esporte brasileiro não é capaz de também procurar levar para o torcedor um pouco da história das nossas competições?

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A oferta de eventos que contam a história de um torneio, de uma equipe ou de uma partida é algo bastante comum no mercado americano e tem se tornado cada vez mais constante no futebol da Europa. Esses eventos servem como forma de acionar a paixão do torcedor e também aproximar os patrocinadores do público final.

Quando vamos para o exterior, costumamos achar um enorme avanço do mercado de lá fazer eventos desse tipo. NBA, NFL, Premier League, Uefa... Todas essas entidades sabem que, para fazer a magia do torcedor continuar ligada, é preciso brincar com o encantamento que solidifica a relação de um fã com o esporte.

É exatamente essa consciência que está adormecida no esporte brasileiro. Ainda olhamos para o fã apenas como uma pequena parte do espetáculo. Não oferecemos para ele absolutamente nada para alimentar a paixão que ele nutre por aquela modalidade, aquele time, aquele atleta. Simplesmente achamos que a relação com o fã limita-se apenas ao consumo do evento esportivo em si, sem olhar a ampla gama de produtos que pode ser ofertada - e consumida - por qualquer torcedor.

Quando realizou a primeira edição da NBA House para as finais, em 2018, a liga americana de basquete abriu o espaço só para convidados e deixou algumas vagas para o fã se cadastrar e acessar o espaço. Com mais de 30 mil pedidos, a liga decidiu que, no ano seguinte, faria um projeto um pouco maior. Para 2020, a NBA House já se tornou o maior projeto da liga no país e um dos maiores em todo o mundo.

O torcedor quer ter a oportunidade de vivenciar de outras formas sua paixão pelo esporte. Por total preguiça do mercado brasileiro, não nos preocupamos em alimentar essa convivência do fã com o esporte.

O Banco do Brasil apoia o vôlei brasileiro há quase 30 anos. Quando a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) se mobilizou para criar um espaço que relembrasse a história do esporte no país? Será que seria difícil o banco ter interesse em patrocinar? E as competições de futebol, por que não fazem uma exposição que conte a história delas, com a presença de ex-jogadores?

Não é o mercado estrangeiro que está avançado. É o nosso que não sabe ver o fã como um consumidor do esporte 100% do tempo.