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Análise: Fã sócio de time é fantasia de carnaval

Relação do torcedor com time é de um consumidor comum, não se pode almejar investimento do fã no time

Duda Lopes - Boston (EUA) Publicado em 06/03/2019, às 12h28

Imagem Análise: Fã sócio de time é fantasia de carnaval

Ao longo da última década, popularizou-se no futebol brasileiro a modalidade de sócio-torcedor, como uma forma mais eficiente de venda de ingressos. O nome atribuído à distribuição de tíquetes, no entanto, deve ter atrapalhado a cabeça de alguns dirigentes. Tem muita gente no futebol que acha que torcedor é de fato um sócio do clube. Como uma sociedade empresarial.

Um sócio convencional tem o comprometimento de aportar um capital a essa sociedade, essa empresa. E esse não poderia ser o comportamento mais distante de um torcedor. O torcedor é apenas um consumidor, com meia dúzia de características próprias, como acontece em qualquer outro mercado, em qualquer segmento.

Mas parece que no Brasil, o torcedor tem obrigações extras. Após Corinthians e BMG anunciarem um patrocínio que, para render mais ao clube, os fãs têm que adotar o sistema financeiro proposto, chegou a vez dos cruzeirenses. Ao que tudo indica, o time irá fechar um aporte nos mesmos moldes, com outra empresa do ramo.

Em entrevista nesta semana à Rádio Itatiaia, o diretor geral do Cruzeiro, Sérgio Nonato, repetiu as ladainhas corintianas: "A Crefisa pode chegar a R$ 86 milhões, mas o Cruzeiro pode bater R$ 86 milhões também". Contanto, claro, que o torcedor compre amplamente o projeto.

Nos últimos anos, toda vez que os clubes abraçaram essa lógica, quebraram a cara. O campeão da modalidade foi Luiz Eduardo Baptista na época de vice-presidente de marketing do Flamengo. "É um plano que precisa ser melhor para o clube do que para os torcedores em um primeiro momento", chegou a afirmar o dirigente para justificar o preço alto. Com a "ajuda" do torcedor, o programa de sócio levantaria entre R$ 140 e R$ 600 milhões ao clube todo ano. Em 2017, a iniciativa rendeu ótimos R$ 43 milhões aos cariocas.

Com patrocínios, também há exemplos parecidos. O mais recente, a iniciativa do Santos com a Kappa, que dependeria da compra de camisas por torcedores para lucrar mais. Mirou R$ 8 milhões ao ano, faturou menos da metade disso.

O torcedor, claro, vai comprar camisa de time quando estiver motivado a isso. Se tornará sócio (torcedor) se isso lhe for de fato vantajoso. E isso, claro, para citar exemplos de uma relação comum entre o fã e o que o clube de fato oferece a esse momento de entretenimento que o consumidor busca. A compra cega de um terceiro, pela ajuda dada ao time, parece a mais surreal das fantasias deste carnaval.