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Análise: Festa europeia mata essência do futebol sul-americano

Para Duda Lopes, com dinheiro curto e longas distâncias, América do Sul não é Europa

Duda Lopes - Boston (EUA) Publicado em 28/02/2018, às 10h15

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A Conmebol cravou: a final da Libertadores será em partida única, nos mesmos moldes que acontece na Liga dos Campeões da Europa. A entidade segue algo que já tem sido feito no Brasil: importa a festa do Velho Continente, mas sem seguir tantos outros padrões de excelência. No fim, perde-se apenas a autenticidade do evento.

Há uma lista de fatores positivos na mudança que são difíceis de serem rebatidos. A final única cria um evento especial para a Libertadores, um pico do torneio. Aumentam as possibilidades de ações especiais e fortalece a cidade escolhida, com maior número de turistas.

Há um único problema: a América do Sul não é a Europa. Na América, o dinheiro é curto e as distâncias são longas. Imagine, por exemplo, a final de 2016 entre Atlético Nacional e Independiente del Valle jogada em Miami ou em Porto Alegre. Seria o fim da festa dos torcedores locais, uma agressão ao torneio.

Cito o Brasil pelas imposições recentes das federações na entrada dos times em campo. Perfilados, unidos, sob um hino infame da competição. As crianças, a guerra de gritos nas arquibancadas, os papéis e os bandeirões ficaram para trás. Eram o símbolo maior das festas dos estádios no país. Na Argentina, a tradição é ainda maior: o chamado “recibimiento” é o ápice do evento.

Pode parecer uma questão menor, mas os fatores que criam identidade aos torcedores e ao seu modo de torcer são o que fazem com que o torneio seja único, seja apaixonante. A Libertadores jamais será a Champions, e é bom que seja assim.

As entidades sul-americanas precisam ter ciência que organização, profissionalismo e segurança passam longe do que pode ser visto em curto prazo.