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Análise: Flamengo aprende lição com o mercado

Experiência do Flamengo reduz exposição e ganhos financeiros; união dos clubes ainda é o melhor caminho

Duda Lopes - São Paulo (SP) Publicado em 16/07/2020, às 07h54 - Atualizado às 10h54

Imagem Análise: Flamengo aprende lição com o mercado

O presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, compartilha uma ideia constantemente defendida pela Máquina do Esporte: o esporte tem que ser detentor do seu próprio conteúdo. Mas, ao assumir o clube carioca, o dirigente parece ter pouco conhecimento do próprio segmento, com medidas longe do que é praticado nos maiores mercados.

A vantagem, dessa vez, é que a resposta veio rápida. Não há meia palavra: a aventura experimental do Flamengo no Campeonato Carioca foi um fracasso. Nem tanto financeiramente por parte do clube, ainda que tenha recebido menos do que receberia da Globo, mas por mostrar que o caminho individualizado é totalmente insustentável para qualquer equipe do país.

A primeira lição que teve a diretoria do Flamengo veio dos próprios parceiros comerciais do clube. Segundo noticiou o "UOL", a decisão de exibir a partida decisiva na TV aberta passou pela pressão de patrocinadores. Apesar do sucesso na internet, o alcance foi cerca de 10 vezes menor do que o costume na Globo. E, em um mercado que valoriza tanto a exposição de marca, isso não é aceitável.

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Depois, veio o valor de venda da partida no SBT, em quantias próximas do que a Globo pagaria por jogo ao time. Com um detalhe: era a final. A conta da emissora carioca só valeria se fossem divididos os ganhos também daqueles eventos da primeira fase do torneio, que nem mesmo transmissão na televisão aberta teriam.

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Tudo isso aconteceu com o time de maior torcida do Brasil, líder absoluto na segunda cidade mais rica do país. Se pensarmos em equipes menores, os resultados seriam bem piores, sem nenhuma dúvida. Talvez essa seja a luz que falte à atual diretoria do Flamengo para perceber que somente com os clubes unidos, tendo um grande produto, o futebol, há a possibilidade de aumentar o bolo em longo prazo. Do jeito que aconteceu, todos perdem. Ou ganham menos.

Em uma live recente, Landim chegou a dizer que não deu entrevistas às emissoras antes de uma partida para priorizar a FlaTV. Afinal, o clube é dono do conteúdo. Ele entendeu tudo errado. Ter o conteúdo é deter o futebol com os clubes para ter os melhores parceiros e os melhores acordos da velha e da nova mídia. É assim que faz qualquer grande liga esportiva do mundo.