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Análise: Flamengo explicita peso que tem a crise

Clubes cometem erros básicos na comunicação de marca e, até nas vitórias, geram ruídos desnecessários

Duda Lopes - São Paulo (SP) Publicado em 20/12/2019, às 08h41 - Atualizado às 11h41

Imagem Análise: Flamengo explicita peso que tem a crise

O Flamengo está a um dia da glória máxima de um clube de futebol. Mas, na home do UOL Esporte, por exemplo, o destaque desta quinta-feira (19) era a tragédia do Ninho do Urubu, ocorrida no início deste ano. As mães das vítimas declararam que se sentiam abandonadas e que sofriam com as conquistas recentes do Flamengo. É uma clara consequência da péssima gestão de crise realizada pelo clube carioca no início de 2019, uma prática comum entre as equipes nacionais.

É muito fácil imaginar o cenário caso o clube tivesse feito um trabalho mais interessante. Caso tivessem sido bem atendidos, os familiares poderiam estar hoje no Qatar, com o time, em uma grande homenagem aos garotos. Era só ter recorrido ao básico da chamada "ética estratégica", mas o clube os fez se sentirem abandonados, e a voz deles se tornou jornalisticamente relevante nesse momento glorioso do Flamengo.

Quando o Ninho do Urubu pegou fogo em fevereiro e dez garotos faleceram, o Flamengo ignorou qualquer manual de boas práticas da comunicação. Demorou para se posicionar, não foi transparente durante as investigações, terceirizou a culpa e esteve longe dos familiares das vítimas. Isso em uma temporada em que a equipe investiu quase R$ 200 milhões em novas contratações de jogadores.

Lidar mal com crises de imagem está longe de ser uma exclusividade dos clubes de futebol. Em 2015, por exemplo, a Samarco virou anticase nas relações públicas pelos erros cometidos após o rompimento da barragem de Mariana. A companhia, que pertence à Vale do Rio Doce, claramente não estava preparada para uma tragédia do tipo. Aliás, mesmo em casos pequenos, não é incomum empresas derraparem.

No esporte, especialmente no futebol, os casos são corriqueiros: toda vez que algo sai da linha esperada, os times se atrapalham. Foi assim com o Corinthians, na morte do torcedor boliviano em 2013, ou simplesmente quando um profissional pede para sair, como foi a demissão do técnico Tiago Nunes do Athletico Paranaense.

Crises de imagem são imprevisíveis e inesperadas, mas existe um padrão para lidar com elas. Exige-se planejamento e um plano bem definido para diversas situações, e o improviso sempre será o pior caminho.

No início do ano, o Flamengo estava com uma nova presidência, o que mostra a importância de uma equipe profissional independente da política. Em um mundo tão profissionalizado, não cabem ruídos desnecessários pela simples falta de um processo interno básico de qualquer grande empresa.