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Análise: Futebol não precisa se levar tão a sério

Cruzeiro e Atlético Mineiro levaram bom humor a questões normalmente resolvidas de forma burocrática

Duda Lopes - São Paulo (SP) Publicado em 21/02/2020, às 08h51 - Atualizado às 11h51

Imagem Análise: Futebol não precisa se levar tão a sério

Futebol tem que ser sério nos bastidores, no profissionalismo da gestão. No contato com o torcedor, ele é entretenimento puro e deve ser visto e trabalhado dessa maneira. Formalidades excessivas, comunicados oficiais e discursos pasteurizados não têm nada a ver com a alegria que o esporte representa. Nesta semana, Minas Gerais deu bons exemplos de como fazer isso.

As ações começaram com uma apresentação totalmente bizarra de um jogador. No Cruzeiro, Marcelo Moreno pintou o corpo com a camisa do time para dizer que nunca havia tirado o uniforme no período em que ficou fora da equipe.

Foi difícil não dar risada das poses do jogador para as câmeras. Após o teatro para abrir a jaqueta e mostrar a pintura, Moreno não se intimidou com a presença dos jornalistas e fotógrafos. Além de empolgar os torcedores com o discurso apaixonado pelo clube, a ação ganhou mídia pelo país e até mesmo no exterior, com citações no argentino "Olé" e no espanhol "Marca".

Foi bizarro, sem dúvida, mas quem foi que disse que existe um protocolo para apresentação de jogador? O time tem mesmo que aproveitar o momento para fazer algo que divirta e engaje os torcedores.

Curiosamente, no dia seguinte, o principal rival da equipe celeste, o Atlético Mineiro, também decidiu usar o bom humor, mas para tratar de um assunto muito sério.

No lugar de um comunicado oficial ou uma frase seca nas redes sociais, o clube resolveu se desculpar pelo caso de machismo de sua mascote em um vídeo criativo. O "Galo Doido" escreveu uma carta e entregou às jogadoras do time feminino, que ficaram emocionadas. "Não é só um pedido de desculpas, é um aprendizado", disse a mascote.

A zagueira Vitória Calhau leu a carta e foi às lágrimas. A emoção da atleta foi um tapa na cara daqueles que acham que a atitude foi normal, elogiosa, como se assédio sexual tivesse níveis aceitáveis. O gesto no último final de semana foi, claramente, um golpe muito duro para a jogadora, mas o Atlético tentou corrigir o caso com maturidade e, surpreendentemente, usando o bom humor. E foi muito mais eficiente assim.

Muitas vezes, as comunicações dos times de futebol ficam entre o conteúdo seco e aquele que foge do aceitável, com provocações muito acima do tom. Para ter uma mensagem clara e efetiva, é preciso de algum tato, um mínimo de sensibilidade dos gestores, e os times mineiros deixaram claro que isso é possível. De forma geral, os clubes não precisam se levar tão a sério. Afinal, futebol é, prioritariamente, uma diversão.