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Análise: Futebol no Brasil não pode ficar para trás

Iniciativas recentes promovidas por ligas estrangeiras explicitam abismo para as entidades esportivas nacionais

Duda Lopes - São Paulo (SP) Publicado em 04/03/2020, às 08h56 - Atualizado às 11h56

Imagem Análise: Futebol no Brasil não pode ficar para trás

É sempre impressionante a capacidade do futebol brasileiro, de maneira geral, de se manter entre os retardatários das principais ligas esportivas do mundo. Desta vez, enquanto ainda se discute o tom machista na comunicação oficial de algumas equipes, a NBA anuncia uma ação só para meninas. E, no Brasil, aparece algo semelhante, mas sem ligação com times ou federações.

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Essa é uma impressão constante: o esporte mais popular e rico do país está sempre correndo atrás. Pode parecer exagero, mas na comparação com as principais ligas do mundo, é difícil argumentar o contrário. E isso é péssimo para a imagem e para os negócios que envolvem os maiores torneios nos gramados brasileiros.

Uma boa mostra dessa situação é a presença da LaLiga no Brasil. A entidade espanhola reuniu jornalistas recentemente para contar as iniciativas globais que envolvem o torneio, de ações sociais a troca de experiência para a gestão do esporte. É outro nível de profissionalismo, também visto em entidades dos principais mercados do mundo, mas longe daqui.

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No Brasil, ainda se engatinha. Nesta semana, o colunista do jornal "O Globo", Lauro Jardim, afirmou que alguns clubes estão novamente pensando na criação de uma liga independente, uma conversa que tem se arrastado na última década e que parece longe de um final feliz.

Não é por acaso que nos últimos anos as melhores ativações de marcas no esporte foram realizadas por marcas patrocinadoras de entidades estrangeiras, como a Liga dos Campeões, a NBA e a Fórmula 1. O nível de sofisticação nas iniciativas dessas empresas não se vê nem de perto no futebol brasileiro, mesmo que torneios como o Brasileirão tenham apelo muito maior, com enorme público na televisão e nos estádios. Claramente, o mercado não encontra meio para usar o esporte nacional.

A cada dia que uma entidade de fora dá um passo no país enquanto o futebol nacional bate cabeça, maior é a impressão passada de algo defasado e pouco confiável. O que, há de se convir, está longe de ser uma mera impressão.

Ainda está longe de acontecer, mas o futebol brasileiro precisa urgentemente de um choque. Não aquele "choque de gestão" politicamente vendido da boca para fora, mas uma organização que realmente pensasse no produto. Agora, nem precisaria estar na vanguarda. Se fosse feito o básico, um encontro de meninas da NBA não pareceria algo tão distante do que é feito diariamente nos bastidores nacionais.