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Análise: Futuro do esporte é a fragmentação

Como o consumidor vai mudar a forma de produzir conteúdo no esporte

Erich Beting - São Paulo (SP) Publicado em 01/10/2020, às 07h46 - Atualizado às 07h48

Imagem Análise: Futuro do esporte é a fragmentação

A consultoria PwC lançou, na última quarta-feira (30), um estudo sobre como será o esporte nos próximos anos. Fruto de uma pesquisa com 780 líderes da indústria em 50 países, somada a dados de mercado, o relatório faz uma leitura importante sobre o futuro da indústria.

O futuro do esporte é fragmentar-se em diversas plataformas, sem dúvida. Mas, mais do que isso, o futuro do consumo do esporte é também fragmentado. Como já dito aqui por esses dias, ninguém fica mais tanto tempo parado em frente a um aparelho consumindo apenas um tipo de conteúdo. E isso já tem se refletido no tipo de produto que vem sendo consumido pelo torcedor.

Segundo a PwC, uma pessoa acima de 35 anos de idade consome em média 10h42min de conteúdo esportivo na semana. Desse total, 7h19min são de conteúdo ao vivo, enquanto 3h23min são dedicadas aos melhores momentos.

Nas pessoas mais jovens, abaixo dos 35 anos, o consumo é de 11h48min semanais. Mas, desse total, 6h05min são dedicadas ao evento ao vivo, enquanto 5h43min são dos melhores momentos.

Há cinco anos, na mesma pesquisa feita pela PwC, as pessoas consumiam menos esporte. E, menos ainda, assistia apenas aos melhores momentos.

Essa mudança de comportamento é o que deveria estar no radar das entidades esportivas brasileiras. Até porque esse mesmo estudo da PwC mostra que a mídia tradicional seguirá dona da maior fatia dos direitos de transmissão dos eventos. A diferença é que as grandes empresas tradicionais vão se unir a distribuidores de conteúdo para entregar o evento em diversas plataformas, como acontece hoje com o Facebook.

Ou seja, o modelo de financiamento do esporte não vai mudar. O que precisa mudar, especialmente no caso brasileiro, é a capacidade de o esporte produzir o seu conteúdo. É aí que está a mina de ouro para o futuro.

Os dados da PwC mostram claramente que existe um consumo cada vez maior do esporte, mas ele acontece de uma forma totalmente nova. Em vez do evento ao vivo, vamos ver cada vez mais melhores momentos, documentários e conteúdos exclusivos.

Por aqui, o esporte ainda não percebeu que mais importante do que saber quem transmite o evento é ser o dono desse conteúdo. Só vai sobreviver quem souber produzir, reter e distribuir melhor esse conteúdo.