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Análise: Hamburgo aposta em tradição e redenção olímpica

Adalberto Leister Filho discute as chances de cidade alemã, a última a oficializar candidatura para Jogos de Verão-2024

Adalberto Leister Filho - São Paulo (SP) Publicado em 26/03/2015, às 08h41 - Atualizado às 11h41

Imagem Análise: Hamburgo aposta em tradição e redenção olímpica

Aos poucos a Olimpíada parece ter recuperado o prestígio entre os países mais badalados do mundo esportivo. Boston, Paris, Roma e Hamburgo prometem realizar uma das disputas mais acirradas dos últimos tempos para ser sede dos Jogos de 2024.

A novidade da semana foi a entrada da cidade alemã na briga, após surpreender, e derrotar a capital Berlim. A candidatura alemã era a última que faltava ser definida.

Para mostrar o envolvimento do local com o projeto, o comitê da Hamburgo divulgou pesquisa em que 64% da população apoiava a realização da Olimpíada na cidade. Um referendo, marcado para o segundo semestre, dará a aprovação final ao megaevento.

Segunda cidade mais populosa da Alemanha, com 1,7 milhão de habitantes, Hamburgo segue os preceitos do Comitê Olímpico Internacional, de utilizar o evento para deixar legados significativos para a cidade-sede. A principal ideia é revitalizar uma área degradada e fundamental para a cidade: a região do porto, o segundo mais importante da Europa (atrás apenas de Roterdã, na Holanda).

A área do porto, formada por grandes galpões, alguns deles abandonados, oferece áreas imensas para a construção de arenas esportivas. Pouco habitado, o local tende a se beneficiar pela construção da Vila Olímpica, que trará circulação de pessoas em um local normalmente ermo após o horário comercial.

No quesito festa, o projeto hamburguês traz uma bela história a ser degustada por torcedores e atletas. Hamburgo já foi a principal produtora de cerveja do mundo, no século XV, e tem larga tradição no setor. Não é coincidência, o hambúrguer, celebrizado pelos fast-foods norte-americanos, nasceu na cidade do Norte da Alemanha. Até hoje, a iguaria é vendida em bares e nas ruas ao estilo alemão: com muita carne e poucos acompanhamentos. Para festejar, St. Pauli é talvez o bairro boêmio mais famoso da Europa. 

A maioria das metrópoles não tem mais condição de programar a Olimpíada em uma região central. Londres colocou seu Parque Olímpico em Stratford, a cerca de 11 km da estação St. Pancras, a principal do metrô. O Rio de Janeiro programou o centro nervoso dos Jogos na Barra da Tijuca, distante mais de 30 km do centro da capital fluminense.

O Parque Olímpico de Hamburgo, por sua vez, fica a 20 minutos de ônibus da principal estação de trem e a 15 minutos do belíssimo prédio da Prefeitura de Hamburgo, a Rathaus, construção do final do século XIX em estilo neorrenascentista, e marco do centro da cidade.

A Alemanha já abrigou os Jogos de Verão em outras duas oportunidades. Berlim-1936, ficou marcada pelo uso do esporte como ferramenta de propaganda política. Trinta e seis anos depois, Munique deixou triste lembrança após o ataque do grupo terrorista Setembro Negro, que matou 11 integrantes da delegação de Israel.

Em que pesem adversários fortes, Hamburgo-2024 pode ser a chance da redenção alemã na história olímpica.