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Análise: Honda gera dúvida sobre futuro da F1

Com motores a combustão, Fórmula 1 deixa de estar na vanguarda e passa a representar tecnologia antiga

Duda Lopes - São Paulo (SP) Publicado em 06/10/2020, às 07h00 - Atualizado às 01h01

Imagem Análise: Honda gera dúvida sobre futuro da F1

A Honda, indiretamente, deu o aviso: a Fórmula 1 terá que mudar completamente os seus valores caso queira permanecer atrativa ao mercado de automóveis. A marca japonesa deixará a categoria para investir em uma imagem mais sustentável, que parece incompatível com as tradicionais corridas. O problema é que certamente ela não está sozinha.

Ao longo das últimas décadas, em termos de associação de valores, a Fórmula 1 foi extremamente atrativa para marcas que queriam se mostrar velozes e altamente tecnológicas. Com esses conceitos sempre em destaque, atraiu as principais marcas de carros e de tecnologia. A grande estrela Lewis Hamilton, por exemplo, tem em sua equipe parceiros como a Mercedes, a Epson, a HP, a AMD e a Petronas, todas interessadas nesse tipo de ligação.

O problema é que o mercado de carros tende a mudar muito rápido, e os elétricos devem ser dominantes nas próximas décadas. Parece muito tempo, mas não é nada para quem sempre se vendeu como a vanguarda da indústria. Cada dia que passa, a Fórmula 1 está mais atrelada a uma tecnologia ultrapassada, algo que empresas como a Honda querem distância de suas marcas.

E ela não será a única. Neste ano, por exemplo, o presidente da McLaren afirmou que todos os carros da marca serão elétricos a partir de 2030. Qual é o sentido da empresa se manter na Fórmula 1? Isso sem considerar mercados que devem abolir os carros a combustão em breve. Reino Unido e Califórnia, o Estado do Vale do Silício, colocaram como meta o ano de 2035. Uma empresa como a AMD terá interesse em se manter na competição sendo que na sede da companhia, em Santa Clara, essa é uma tecnologia proibida?

Claramente, a Liberty Media, que controla a Fórmula 1, tem pensado em mudanças de imagem para a competição. Hoje, a disputa é mais conectada, mais jovem, mais aberta ao público feminino. Ainda assim, parece que as mudanças de tecnologia têm atropelado esse processo de modernização do torneio, talvez em um processo mais lento que atenue as críticas dos mais puristas, que gostam de ir à pista para sentir o cheirinho de gasolina.

Mas, para se manter na elite do esporte, a Fórmula 1 terá que se reinventar. Caso contrário, ficará fechada a um nicho, sem a mesma relevância.