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Análise: Jogo único é ótimo, mas sem invenções

Star Wars escoltando troféu e anel de brilhantes com inscrição em inglês estragaram o charme da final única

Erich Beting - São Paulo (SP) Publicado em 25/11/2019, às 08h01 - Atualizado às 11h01

Imagem Análise: Jogo único é ótimo, mas sem invenções

Foi espetacular a primeira decisão em partida única da Libertadores. Todo o roteiro que envolveu o jogo em Lima mostrou a importância, do ponto de vista do negócio, de uma única data para decidir o campeão da América. Em termos de promoção do evento, raras as vezes tivemos um engajamento tão grande na final da Libertadores. Obviamente que ajudou demais o fato de ser o Flamengo o time finalista, mas a partida decisiva acontecer na tarde de um sábado é ótimo do ponto de vista de atenção da mídia para com o evento.

O que assistimos, ao longo da semana, foi uma promoção como há muito não acontecia com uma disputa de Libertadores. Além disso, as marcas tiveram tempo para programar ações de ativação, bem como o torcedor teve mais disponibilidade para se deslocar até o Peru tentar a sorte de acompanhar o jogo final do campeonato.

O aumento de interesse do público pelo jogo, aliás, foi algo absolutamente fantástico de se acompanhar. O problema, porém, é que toda inovação, quando o assunto é futebol sul-americano, costuma ficar um tanto quanto acima do tom.

A entrada triunfal dos soldados da saga Star Wars escoltando a taça da Libertadores foi uma tremenda ação de marketing. Mas foi algo completamente inadmissível e descabível para a importância do evento.

O anel de melhor jogador do torneio é uma baita sacada da Bridgestone. Mas é um ultraje a inscrição que está no apetrecho ser feita em inglês, idioma que não é nativo de nenhum time que está no torneio.

Quando optou por instituir a final única na Libertadores, a Conmebol tomou bronca de diversos torcedores pregando o fim da alma da competição. Não é mudar o formato de disputa do título do torneio que fará isso acontecer, mas os penduricalhos de inovação que o futebol na América do Sul cisma em colocar que atrapalham.

No afã de se mostrar inovadora, a Conmebol tirou parte da essência do futebol da América do Sul. A paixão latina pela bola é muito mais tradicional do que Star Wars, ou bem mais valiosa do que um anel com 128 brilhantes escrito em inglês.

O maior trunfo da final única da Libertadores é fazer o continente se mobilizar em torno da partida decisiva da sua maior competição. Para que isso seja ainda mais atrativo, os dirigentes sul-americanos precisam entender que é preciso valorizar a tradição de seu torneio, sem aceitar a máxima que vale para quase tudo, menos o futebol.

Não é tudo na vida que tem o seu preço. Inovar é preciso. Inventar, não.