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Análise: Marca própria é a nova versão do sócio-torcedor

Erich Beting mostra como o Brasil consegue achar soluções inovadoras no futebol

Erich Beting - São Paulo (SP) Publicado em 03/01/2020, às 09h55 - Atualizado às 12h55

Imagem Análise: Marca própria é a nova versão do sócio-torcedor

O futebol brasileiro é capaz de encontrar algumas soluções curiosas para aumentar o faturamento e criar um modelo de negócios únicos em todo o mundo. Depois da invenção do sócio-torcedor, uma alternativa encontrada pelos clubes para ter receita recorrente além da venda de ingressos, achamos um caminho para os times faturarem mais com a venda de camisas de jogo.

O resultado do Coritiba em sua rede de lojas oficiais no mês de dezembro é mais uma prova de que ter uma marca própria faz toda a diferença para os clubes. Os desempenhos recentes de Bahia e Fortaleza, a adoção do mesmo modelo pelo Ceará e o próprio estudo que o Cruzeiro faz para seguir esse caminho mostram que a solução para boa parte do futebol brasileiro está nessa centralização da venda de uniformes.

Assim como na questão do sócio-torcedor, o projeto de ter a marca própria, porém, só dá certo por ser uma solução que atende as especificidades de nosso mercado. E é isso o que há de mais legal na história. Temos entendido que não adianta importar modelos existentes lá fora, por mais bem-sucedidos que eles sejam, se o mercado local não atende a essa demanda.

O sócio-torcedor era o melhor exemplo. Não temos a cultura, no Brasil, de fazer a compra adiantada de um serviço. Já nos anos 90 tentamos implementar a venda de carnê de ingressos para a temporada do futebol, como acontece na Europa e nos EUA, e fracassamos retumbantemente. A solução do sócio-torcedor é fantástica. Na cabeça do consumidor brasileiro, é melhor pagar um valor fixo por mês para ter preferência para comprar um ingresso quando for a hora de ir para um jogo do que pagar antecipadamente e depois não ir ao evento. No final das contas, o programa de sócios virou receita extra para além do ingresso...

Com a marca própria, a lógica é a mesma. Temos um país de dimensões continentais. As fornecedoras não conseguem abastecer o mercado todo. Além disso, os clubes são muito fortes localmente, mas têm apelo de venda nacionalmente. Pequeno, mas mesmo assim ainda possuem. Com a gestão própria da marca, os clubes fazem da venda on-line a certeza de atender a seu torcedor onde ele estiver. E, com as lojas próprias na região onde há a maior concentração de vendas, conseguem abastecer o torcedor melhor que o fabricante que vende peças para o país inteiro.

Daqui a pouco, a marca própria vai se transformar em solução para diversos clubes pequenos da Europa. O jeitinho brasileiro, quando bem aplicado, é excelente.