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Análise: Marcas dão choque de realidade a clubes

Duda Lopes diz que marcas exigem comprometimento dos times para fechar negócio

Duda Lopes - São Paulo (SP) Publicado em 10/01/2020, às 09h35 - Atualizado às 12h35

Imagem Análise: Marcas dão choque de realidade a clubes

Durante o período que antecedeu a Copa do Mundo de 2014, o futebol brasileiro viveu um boom nas finanças. Entre os diversos segmentos que aumentaram a verba de investimentos na modalidade, estavam os fornecedores de material esportivo. O avanço de grandes marcas globais fez parecer que as companhias locais perderiam voz na elite. Mas muita coisa mudou desde então.

Assim como aconteceu com outros patrocinadores, os investimentos das empresas de material esportivo cessaram. Mas, mais do que isso, talvez essa tenha sido a área com a mudança mais radical. As marcas passaram a fazer algo que as equipes sempre estiveram pouco acostumadas: cobrar resultado efetivo, financeiro, venda.

Basicamente, o investimento alto nos patrocínios não se mostrou um bom negócio na elite do futebol brasileiro. As vendas de camisas não justificavam as verbas alocadas, e o posicionamento de patrocinador de uma equipe também não teve grande impacto para o mercado esportivo.

Hoje, as três grandes empresas do ramo, Nike, Adidas e Puma, escolheram uma equipe cada para buscar o ativo intangível que é a associação ao alto rendimento. Com Corinthians, Flamengo e Palmeiras, o ciclo de investimentos mais altos fica fechado. Para outros acordos, fica a variável: paga o quanto vende.

E essa condição, que deveria fazer parte da compreensão dos dirigentes, parece que gera um choque grande nos gestores. A ponto de o novo presidente do Cruzeiro, Dalai Rocha, chegar a ameaçar o rompimento com a Adidas, que ainda nem estreou no uniforme dos mineiros.

O dirigente logo recuou porque deve ter percebido o que muitos dos executivos do futebol já perceberam: não há outro caminho, não há investimento volumoso por parte dos fornecedores de material. O Cruzeiro terá o prestígio da Adidas, a qualidade e a distribuição dos alemães, e agora terá que se esforçar para fazer do seu produto algo mais atrativo para os consumidores. Não é um negócio ruim.

Como o Vasco também já descobriu, com uma mudança pouco significativa na troca de material para este ano, essa é a nova realidade, e é difícil enxergar novos rumos em curto prazo. Vale a lembrança que, nos últimos anos, pelo menos duas marcas, Under Armour e Dryworld, tiveram sérias dificuldades para entrar no mercado nacional.

Com novos contratos e até mesmo marcas novas, fica nas mãos dos clubes o empenho para aumentar a verba dos patrocinadores. Como sempre deveria ser.