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Análise: Marketing deve ser o vendedor do clube

Palmeiras tem mostrado que há uma demanda reprimida de consumo ainda pouco explorada pelo clube

Erich Beting - São Paulo (SP) Publicado em 27/11/2018, às 07h43 - Atualizado às 09h43

Imagem Análise: Marketing deve ser o vendedor do clube

Qual é o segredo do sucesso do Manchester United? Um time que não é campeão inglês há alguns anos, que tem tido performance fraca na Liga dos Campeões, mas que consegue manter-se no topo do faturamento do futebol mundial há pelo menos três temporadas consecutivas.

A resposta vai muito além da diferença do câmbio entre a libra e o euro. Ela pode ser explicada principalmente pelo excelente funcionamento dos departamentos comercial e de marketing do clube inglês, que fazem com que o desempenho dentro de campo tenha interferência cada vez menor sobre os negócios firmados pelo clube.

Por aqui, ainda atrelamos o marketing e o comercial à performance. Mas, pior ainda, é quando o marketing fica estacionado mesmo com o resultado em campo sendo amplamente vantajoso para o clube. Esse pode ser o resumo da atual fase do Palmeiras. Há quatro temporadas que o clube disputa títulos. E o que é feito para alavancar receitas aproveitando a boa fase?

Poucas são as ações que efetivamente incentivam o torcedor a consumir mais o clube. Mesmo assim, os números apresentados pelo Palmeiras mostram que há muita demanda reprimida de consumo.

A bilheteria é, com sobras, a mais significativa do país desde 2015. A venda de camisas segue em alta, assim como as compras de pacotes de pay-per-view. Mas o que o clube oferece para seu torcedor além da atitude passiva de consumo?

Se o time não estivesse performando bem, provavelmente seria difícil encher o Allianz Parque todo jogo. Da mesma forma, a venda de camisas não seria tão alta, assim como o desejo de assinar o pacote de PPV. E por que não aproveitar a hora?

Desde que o Palmeiras se alinhou com o patrocínio de Crefisa e FAM, o marketing parou de prospectar o mercado. O clube simplesmente não procura vender nada além do patrocínio com exposição na mídia. Curiosamente, o Palmeiras tem mais de 100 mil sócios-torcedores adimplentes e mais de 1 milhão de seguidores em seu canal do YouTube. E, mesmo assim, não incentiva o seu torcedor a comprar.

Para que haja interesse de consumo, é preciso ofertar um produto e promover a necessidade de compra da pessoa. Hoje, o Palmeiras não traz nada além do fato de ter o melhor time do Brasil e um estádio moderno para o seu consumidor. Mesmo assim, é um dos clubes que mais arrecada com o seu torcedor. Imagine quanto poderia ser o tamanho do faturamento se o clube estivesse interessado em vender produtos aos fãs?