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Análise: Mercado existe, mas falta produto ao Brasil

Para Erich Beting, continuamos a ser preguiçosos para explorar o potencial de consumo dos nossos torcedores

Erich Beting - São Paulo (SP) Publicado em 25/10/2018, às 07h30 - Atualizado às 10h30

Imagem Análise: Mercado existe, mas falta produto ao Brasil

As diferentes ações voltadas para o mercado brasileiro de diferentes ligas, clubes e patrocinadores mostra uma realidade cristalina sobre nosso país. Mercado para consumir futebol existe. O que falta é produto adequado.

Por que o PSG, a Bundesliga ou o Santander podem fazer uma ação para o brasileiro e raramente vemos algo sendo feito internamente nesse sentido? Será que falta disposição dos clubes em se relacionar com os torcedores? Ou o problema é outro?

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Voltamos para o mercado local. A ação feita pela plataforma Thanksfan com torcedores do Grêmio que foram até Buenos Aires acompanhar o jogo contra o River Plate mostra que há interesse de consumo, mas para isso precisa haver bom produto.

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O problema, ao que tudo indica, é a enorme dificuldade que temos em desassociar a gestão do desempenho dentro de campo ou da política fora dele. Na Europa, a letargia do marketing que dominou os anos 90 acabou assim que o Manchester United começou a ganhar tudo dentro de campo e ainda mais dinheiro fora dele.

A revolução provocada por Beckham e United foi acompanhada pelo crescimento global do Real Madrid e, posteriormente, pela estratégia de novos mercados do Barcelona. Agora, lideradas pela Premier League, são as grandes ligas que começam a buscar mercado globalmente.

E o Brasil, nesse período todo, teve alguns lampejos de desenvolvimento da indústria, mas que não conseguiram ter continuidade por causa do modelo político que ainda impera dentro dos clubes.

Enquanto não tivermos profissionais e projetos que perdurem independentemente do corpo dirigente das instituições, não conseguiremos ter um trabalho constante com os consumidores. Nem mesmo os projetos de sócio-torcedor, que significam receita recorrente para os clubes, têm tido manutenção entre uma gestão e outra. Um novo presidente, ou diretor de marketing, relança o produto sem razão aparente.

Potencialmente, o mercado de futebol no Brasil conseguiria sustentar-se internamente. Não precisamos, como os europeus, exportar nosso produto para ampliar a fonte de receita. O problema é que continuamos a ser preguiçosos para explorar o potencial de consumo dos nossos torcedores. Ou, pior, desperdiçamos receita ao não dar continuidade a bons projetos por pura vaidade de quem assume uma nova gestão.

Enquanto isso, os europeus vão avançando sobre nosso território. Quando acordarmos, talvez seja tarde demais para virar o jogo. Ou isso dará ainda mais trabalho.