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Análise: Não existe legado de Parque Olímpico

Antigas sedes de Jogos também sofrem para manter estruturas que não recebem público de forma contínua

Duda Lopes - Boston (EUA) Publicado em 20/11/2018, às 10h00 - Atualizado às 12h00

Imagem Análise: Não existe legado de Parque Olímpico

O futuro presidente Jair Bolsonaro não quis se posicionar sobre o Parque Olímpico, hoje uma propriedade do Ministério do Esporte, com pouca utilização e renda. Talvez ele queira evitar uma resposta pouco agradável ao público: não faz a menor ideia do que fazer com isso.

Diferentemente de outras áreas que o futuro presidente mostra pouco conhecimento, nesse caso ele tem uma defesa: ninguém sabe direito o que fazer com um Parque Olímpico. Ele é um grande problema para qualquer cidade que sedia os Jogos.

Pequim e Atenas são os casos mais notórios. Apesar da utilização de uma arena ou outra, a maioria das estruturas se mostra degradada, com imagens de total abandono. Assim como o Brasil, não são países ricos, e a manutenção de estádios sem um plano financeiro sustentável se torna um enorme e desagradável peso para o Estado.

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Mas essas cidades não são as únicas. Londres, por exemplo, também mantém problemas. Os Jogos de 2012 revitalizaram a região da capital inglesa, mas algumas estruturas sofrem com a falta de público. É o exemplo do velódromo. Até a estrutura aquática tem sofrido críticas. Transformada em piscina pública, o preço estabelecido para frequentar o local subiu, e o espaço deixou de ser popular. O que faz com que o planejamento de legado social perca bastante sentido.

Londres, pelo menos, livrou-se do estádio principal, já que o West Ham assumiu a arena. Não foi o caso de Barcelona, sempre citada como caso de legado. O Estádio Olímpico da cidade catalã vive de shows esporádicos atualmente, longe de ter as contas pagas desde que o Espanyol resolver erguer uma arena própria.

Estrutura esportiva sustentável sem utilização é uma mentira mundial: um monte de país já contou. O Brasil se tornou um especialista no assunto, com Copa do Mundo em municípios sem futebol e estádios gigantescos que vivem no abandono. Se alguém já falou diretamente que um velódromo de R$ 143 milhões na Barra da Tijuca se paga ao longo dos anos, certamente essa pessoa é uma piadista.

Jogos Olímpicos podem representar uma série de legados. As Vilas Olímpicas podem transformar um bairro, a infraestrutura pode mudar a qualidade de vida e a melhoria de imagem pode aumentar o turismo de qualquer região do planeta. Mas estádios e arenas que não possuem capacidade de criar agenda com público constante não têm jeito. Está na hora de lidar melhor com os erros recentes.