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Análise: Nordeste poderá ser exceção no Brasil

Competição é única a se preocupar com gestão de marca; ampliar alcance da TV é novo alento para o torneio

Erich Beting - São Paulo (SP) Publicado em 28/12/2018, às 08h34 - Atualizado às 10h34

Imagem Análise: Nordeste poderá ser exceção no Brasil

O acerto da Copa do Nordeste com a Fox Sports pode representar um novo caminho para a competição que conseguiu se tornar uma das poucas boas surpresas do futebol brasileiro nos últimos anos.

Mantida no calendário à força de uma decisão da Justiça, hoje a competição é a única dentre os regionais que faz sentido para os clubes que a disputam. Com a saída da Turner e do Esporte Interativo, havia o receio de que o Nordestão perdesse o fôlego que teve nos últimos anos. Por isso, a notícia do acerto com a Fox deve ser celebrada.

O problema, porém, é o reajuste de calendário que poderá ocorrer nos próximos anos. Com a torneira da TV fechada para os Estaduais, a tendência é de termos o calendário mais espaçado para o Brasileirão, o que deixaria a Copa do Nordeste ainda com problemas para fechar datas consistentes dentro do calendário. Mas, mesmo em meio a esse cenário, o campeonato continua a ser um oásis no meio do deserto de boas ideias que existe no nosso futebol.

A Copa do Nordeste é um dos poucos torneios que tem um plano consistente de marca, realiza ações promocionais que engajam o público e começa a colher os frutos do bom trabalho de branding.

A entrada da Fox amplia até mesmo esse potencial da competição. Afinal, o canal está no pacote básico das principais operadoras do país, o que teoricamente amplia a divulgação do torneio. Para não sofrer, porém, a liga terá de investir no produto. Esse foi o grande diferencial da participação do Esporte Interativo na organização do torneio. Desde que a Copa do Nordeste foi relançada, existe uma preocupação em fazer do evento algo que vai muito além de um jogo de futebol, tornando-se uma espécie de valorização da cultura nordestina. Foi isso, aliás, que fez a Schin não apenas patrocinar a competição, mas criar a latinha licenciada com a marca da Copa.

Acostumamo-nos, no Brasil, a não precisar investir no produto do futebol, já que ele consegue gerar grandes receitas mesmo sem um trabalho de marketing elaborado. A Copa do Nordeste é uma das raras exceções no nosso mercado. Num cenário em que os Estaduais perderão receita exatamente por não terem se tornado um produto, ver o Nordestão resistir por meio de um bom trabalho de marketing é um alento.

Precisamos de mais bons exemplos na indústria para fazer o mercado crescer. Que em 2019 possamos trazer novas boas notícias para o esporte brasileiro. Essa última notícia de 2018 deixa um sopro de esperança por um futuro mais marketeiro no país.